Ceuta registra alta nos casos de violência sexual contra menores migrantes.
Ouvi falar de abusos sexuais acontecendo aqui. Não ando mais sozinha. Tenho medo de ser estuprada também.
Ela é uma imigrante vinda do Marrocos e tem apenas 14 anos. Autoridades de Ceuta disseram a ela que não havia mais vagas em abrigos. Por isso, ela está dormindo numa área industrial há mais de duas semanas.
Não temos banheiros aqui. Quando precisamos usar um banheiro, vamos aos campos ao redor. Uma vez por dia, trazem alguma comida. Mas, à noite, temos que encontrar um lugar para dormir no chão.
Casos de violência sexual contra menores estão aumentando na cidade de Ceuta, um exclave espanhol localizado no norte da África, na fronteira com o Marrocos.
A polícia investiga pelo menos 15 denúncias de estupro. Mas as autoridades acreditam que muitos casos nem chegam a ser denunciados.
Uma médica de emergência do Hospital de Ceuta conta que atendeu várias vítimas de estupro nos últimos dias.
Ontem mesmo chegou outra menina de 12 anos. Ela disse que outros imigrantes marroquinos haviam tocado nela de forma inadequada. Chegou extremamente assustada e chorando.
Veio acompanhada de uma mulher que a encontrou na rua e a resgatou", diz Susana Ascaso.
No fim de julho, cerca de 80 mil imigrantes cruzaram a fronteira para a Espanha. A maioria já deixou a região. Mas especialistas estimam que entre 3 mil e 5 mil menores de idade continuem na cidade espanhola.
Em entrevista à DW, o prefeito de Ceuta disse que as autoridades locais estão sobrecarregadas.
Continuamos em uma situação de emergência. Atualmente, estamos operando com uma demanda 5. 000% acima da nossa capacidade. Por isso, os menores não estão recebendo os cuidados adequados", afirma o prefeito Juan Jesús Vivas.
Para aliviar a pressão sobre o sistema de Ceuta, o governo central espanhol planeja transferir cerca de 500 meninas para diferentes regiões da Espanha continental.
Essas menores estão desacompanhadas no exclave e são consideradas em situação de extrema vulnerabilidade.
Segundo o Ministério da Juventude e da Infância espanhol, elas serão acolhidas por instituições de proteção infantil.
O ministério também criticou as propostas de repatriação automática e destacou que a legislação espanhola impede o retorno de menores ao Marrocos sem uma análise individual de cada caso.
As escolas no Marrocos são muito ruins e o nível de ensino é muito baixo. Mas quero ter um futuro melhor um dia. Quero me tornar arquiteta", conta a adolescente.
Em números
- No fim de julho, cerca de 80 mil imigrantes cruzaram a fronteira para a Espanha
- Mas especialistas estimam que entre 3 mil e 5 mil menores de idade continuem na cidade espa
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.