O plano de Karl Bushby de atravessar o mundo a pé começou com um bilhete em um cartão de aniversário.
Era meados da década de 1990, e Bushby era paraquedista do Exército britânico, obcecado por testes de resistência. Ele tentava descobrir a maior distância que conseguiria percorrer a pé, mas nenhuma das opções parecia desafiadora o bastante, já que chegavam no máximo a alguns milhares de quilômetros.
Então o pai sugeriu, no cartão, que ele pensasse em atravessar o estreito de Bering, entre o Alasca e a Rússia, quando congelasse no inverno. Isso abriria um caminho por quatro continentes.
Pouco importava que atravessar a pé o perigoso estreito tivesse poucos precedentes na era moderna. Bushby pegou um marcador preto, foi até um mapa na parede e traçou uma linha da Inglaterra, onde morava, pela Europa e pela Ásia, cruzando o estreito até a América do Norte e descendo até o extremo sul da América do Sul.
Foi aí que percebi que era esse tipo de coisa que eu estava procurando", lembra ele em entrevista. "Agora tínhamos a jornada definitiva.
Bushby voou para a América do Sul e começou a caminhar de volta para casa. Quase 28 anos depois, está perto de terminar a jornada.
A jornada, diz ele, o levou por algumas das paisagens mais inóspitas do mundo, da selva do Tampão de Darién à tundra da Sibéria. Ele foi preso, deportado, ficou sem dinheiro, se perdeu e foi desacreditado mais vezes do que consegue contar.
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