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Autoridade Palestina suspende eleições que ocorreriam em novembro

Pleito seria o primeiro em quase duas décadas; divisões no Fatah e fragilidade do governo pesaram na decisão

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A Autoridade Palestina, na Cisjordânia ocupada por Israel, informou à França nesta semana que as eleições legislativas no território, marcadas para 28 de novembro, serão suspensas por vários meses, segundo duas autoridades a par da situação.

A mensagem foi transmitida em uma carta dirigida ao ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, por Hussein al-Sheikh, vice-presidente da Autoridade Palestina.

A suspensão das eleições ocorre em um momento em que o Fatah, partido governista da Autoridade Palestina, enfrenta divisões, sobretudo em razão do governo cada vez mais autoritário do presidente Mahmoud Abbas.

Tel Aviv, que controla a entrada de urnas e observadores eleitorais na Faixa de Gaza, também tem demonstrado pouca disposição para viabilizar o pleito. Essa falta de colaboração dificulta o trabalho da comissão eleitoral da Autoridade Palestina, segundo três diplomatas ocidentais.

Os representantes palestinos e os diplomatas ocidentais falaram ao The New York Times sob condição de anonimato, pois não estão autorizados a comentar publicamente os temas sensíveis.

Uma suspensão das eleições não ajuda Abbas em seus esforços para convencer os países europeus e os Estados Unidos de que é capaz de promover mudanças no sistema político palestino.

A União Europeia é uma das principais apoiadoras da Autoridade Palestina, pressionando o governo a realizar reformas democráticas e eleições.

Em setembro de 2025, o presidente francês Emmanuel Macron reconheceu o Estado palestino na reunião anual da Assembleia Geral da ONU, citando uma série de compromissos assumidos por Abbas perante ele, entre eles "uma reforma profunda da governança palestina.

Cerca de três meses antes, o presidente palestino havia enviado uma carta a Macron na qual se comprometia a realizar eleições sob supervisão internacional em um ano "para renovar a governança palestina.

No mês passado, Barrot reafirmou o compromisso de Paris com as eleições palestinas ao escrever um artigo no The Wall Street Journal que terminava com as palavras: "Eleições palestinas já.

Pierre-Arnaud Blanchard, diplomata francês residente no Washington Institute for Near East Policy, afirmou haver "profunda decepção e frustração" na França.

Há também a sensação de que se perdeu uma oportunidade de dar novo fôlego e legitimidade à Autoridade Palestina", disse ele.

A Autoridade Palestina, que administra partes da Cisjordânia, é alvo há anos de acusações de corrupção. O governo americano afirmam que o órgão só poderá desempenhar um papel relevante na Gaza pós-guerra se passar por uma reforma significativa.

Abbas, de 90 anos, foi eleito no início de 2005, após a morte de seu antecessor, Iasser Arafat. Como líder da Autoridade Palestina, Abbas consolidou seu poder ao afastar rivais, marginalizar o Judiciário e cooperar com Israel na área de segurança.

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