O antigo presidente arménio Robert Kocharyan e o filho mais velho foram detidos esta terça-feira, após buscas realizadas pelas autoridades em dezenas de locais ligados à família, indicou o Comité Anticorrupção do país.
Segundo a Procuradoria-Geral da Arménia, foi instaurado um processo criminal contra Kocharyan, de 71 anos, por suspeitas de abuso de autoridade, suborno e branqueamento de capitais em grande escala.
A mesma fonte adiantou que, além de Kocharyan e do filho mais velho, Sedrak, foram detidas mais quatro pessoas no âmbito da investigação. De acordo com o Comité Anticorrupção da Arménia, estão a ser investigadas suspeitas de venda ilegal de ativos do Estado a empresas privadas por valores inferiores aos de mercado durante o período em que Kocharyan esteve no poder, entre 1998 e 2008.
O organismo acrescentou que, além de Kocharyan, o processo envolve mais nove pessoas. O antigo presidente Serzh Sargsyan, que foi primeiro-ministro de Kocharyan entre 2007 e 2008 antes de assumir a presidência entre 2008 e 2018, também enfrenta acusações de alegado abuso de poder ou de autoridade pública no âmbito do mesmo processo, adiantou o comité.
Sargsyan foi convocado esta terça-feira para a sede do Comité Anticorrupção, em Erevan. O mais velho dos Kocharyan lidera a Aliança Arménia, um bloco próximo de Moscovo e segunda maior força da oposição no parlamento.
O chefe de gabinete, Bagrat Mikoyan, classificou as detenções como “mais um ataque das autoridades ao Presidente Kocharyan e à sua família”. Acrescentou que Kocharyan se sentiu indisposto após a detenção e foi conduzido a um hospital.
Durante o mandato como presidente da Arménia, Kocharyan aprofundou os laços de Erevan com Moscovo, assinando com o Kremlin uma declaração de “parceria aliada” e supervisionando uma expansão significativa do investimento russo na economia arménia.
Desde então manteve laços pessoais estreitos com Vladimir Putin. Em 2021, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os dois tinham “boas relações há muito tempo” e estavam frequentemente em contacto.“Um sinal para o Kremlin”As rusgas ocorreram menos de 24 horas depois de o primeiro-ministro Nikol Pashinyan ter trocado acusações acesas no parlamento com o filho mais novo de Kocharyan, Levon, que integra o bloco liderado pelo pai.
Durante uma sessão de perguntas e respostas no parlamento, Levon Kocharyan acusou Pashinyan de pressionar os tribunais e as forças de segurança para abrirem investigações contra determinadas pessoas.
Pashinyan respondeu perguntando a Levon Kocharyan de onde vinha a riqueza da família, sustentando que todos os bens obtidos à custa do erário público devem ser devolvidos ao Estado.
Robert Kocharyan foi julgado em 2019, acusado de ter ordenado o uso ilegal da força por parte das forças de segurança contra manifestantes que protestavam contra alegadas fraudes nas eleições presidenciais de 2008.
Pelo menos dez pessoas morreram nos confrontos. As acusações acabaram por ser retiradas e o processo terminou em 2021. O analista Alexander Iskandaryan, diretor do Instituto do Cáucaso, em Erevan, recordou que os críticos acusam há muito Kocharyan de corrupção enquanto esteve no poder.
Iskandaryan considera que o caso vai intensificar o confronto entre a oposição pró-russa e o governo de Pashinyan, que segue uma linha pró-ocidental e dá prioridade ao reforço das relações com a União Europeia.“Claro que isto é um sinal para o Kremlin”, afirmou Iskandaryan.
O partido do político, de 51 anos, foi reeleito em junho. O líder do maior partido da oposição, o multimilionário arménio-russo Samvel Karapetyan, foi detido no ano passado, suspeito de ter apelado à destituição de Pashinyan.
Karapetyan é fundador do grupo russo Tashir e detém uma fortuna estimada em 4,1 mil milhões de dólares (3,5 mil milhões de euros), valor equivalente a quase metade do orçamento anual do Estado arménio.
Fez a maior parte da riqueza na Rússia e possui também cidadania russa e cipriota. Durante o julgamento, em abril, Karapetyan disse ao tribunal que tinha iniciado o processo de renunciar às cidadanias russa e cipriota para poder concorrer às eleições legislativas de junho de 2026.
Ele e os seus advogados negam todas as acusações.
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Pashinyan, eleito na sequência de uma revolução de rua em 2018, apresenta-se frequentemente como um homem do povo e defende uma maior aproximação ao Ocidente. O partido do político, de 51 anos, foi reeleito em junho.
Em números
- Karapetyan é fundador do grupo russo Tashir e detém uma fortuna estimada em 4,1 mil milhões de dólares (3,5 mil milhões de euros), va
Fontes
Informação baseada em material público de Euronews PT, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.