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Alemanha volta às urnas, com olhos voltados para desempenho de partido de extrema direita AfD

Depois da vitória, há duas semanas, no estado da Saxônia-Anhalt, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) terá mais dificuldades em repeti

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Alemanha volta às urnas, com olhos voltados para desempenho de partido de extrema direita AfD

Depois da vitória, há duas semanas, no estado da Saxônia-Anhalt, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) terá mais dificuldades em repetir o bom desempenho em outras duas regiões do país neste domingo (20).

Em Berlim, a AfD pode atingir sua maior votação histórica, mas aparece em terceiro nas pesquisas. Já em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, a sigla tem reais chances de vitória, mas enfrenta uma disputa acirrada com a atual governadora.

A Saxônia-Anhalt foi um bom exemplo de como a AfD vem obtendo vitórias apenas relativas nestas eleições regionais de setembro. No estado do centro-leste do país, o partido fez a sua maior votação na história, chegando a 43,8% dos votos.

Mesmo assim, a sigla ainda patina para chegar ao poder, já que não obteve maioria absoluta. A primeira reunião do novo parlamento no estado está marcada para outubro e ainda não se sabe se haverá condições de se formar um acordo para um governo da AfD.

Neste domingo a votação ocorre em outro estado que fazia parte da antiga Alemanha Oriental, Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, e também em Berlim, que era dividida entre Alemanha Oriental e Ocidental.

Em nenhum dos dois a AfD deve atingir uma votação tão alta quanto na Saxônia-Anhalt, mas deve conseguir seu melhor desempenho até então em ambos.

Nas duas últimas semanas, a popularidade do chanceler Friedrich Merz chegou a um dos níveis mais baixos desde que assumiu o governo. Isso se reflete em baixa intenção de voto no seu partido, a CDU, que representa a direita mais tradicional da Alemanha e que governa grande parte do país.

Também dominaram o noticiário local as declarações em favor da Rússia da líder nacional da AfD, Alice Weidel. Ela disse que a Alemanha deveria voltar a comprar gás russo, cortar qualquer ajuda à Ucrânia e inclusive exigir que a Ucrânia devolva a ajuda enviada pelos alemães até aqui.

A vitória da AfD na Saxônia-Anhalt foi saudada tanto por Vladimir Putin quanto por Donald Trump, que são duas figuras com baixa popularidade entre os alemães. Este é o cenário de fundo e nacional das votações deste domingo, mas o que mais pesa – assim como nas eleições para governador no Brasil – é a realidade local de cada estado.

Os problemas se acumulam, com deficiência de limpeza urbana e acúmulo de lixo, além de um preço de aluguel que disparou nos últimos anos. O custo da moradia foi um dos principais temas do debate entre os candidatos na quarta-feira (16).

O debate não contou com a presença do atual governador, Kai Wegner, que desistiu de tentar a reeleição. Wegner foi muito criticado pela maneira como lidou com o apagão que atingiu Berlim em janeiro deste ano, quando um grupo extremista atacou cabos de energia, deixando milhares de pessoas sem luz.

A última pesquisa mostra uma votação fragmentada, com nenhum partido despontando na liderança isolada. O Die Linke lidera a pesquisa com 22%, seguido de perto pela CDU, com 20%, AfD com 18%, Verdes com 15% e D com 12%.

A atual coalizão que governa a cidade é das duas tradicionais forças políticas do país: CDU e D, centro-esquerda com centro-direita. Só que, se estes resultados da pesquisa se concretizarem, dessa vez os dois partidos não terão maioria para governar.

O certo é que o Die Linke, mesmo que chegue em primeiro, terá dificuldade em formar alianças. Dentro da esquerda, o próprio D tem divergências centrais com o Die Linke, como na proposta de estatização de empresas privadas de habitação.

A diferença entre social-democratas e a esquerda radical fica cada vez mais evidente nesta eleição.

No estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste da Alemanha, a AfD vinha liderando as intenções de voto até a quinta-feira (17) à noite, mas parece estar havendo uma virada de última hora.

A atual governadora social-democrata da D, Manuela Schwesig, vinha há dias crescendo e na última pesquisa teria ultrapassado a AfD, agora num apertado 37% contra 36%.

Schwesig é uma figura popular no estado, e ficou conhecida por enfrentar um câncer sem deixar a cadeira de governadora. Ela tem feito uma campanha bem personalista contra a AfD, com o slogan Die Frau gegen Blau ("A mulher contra o azul", em referência à cor da AfD).

A expectativa é que a extrema-direita atinja sua maior votação da história nos dois estados que votam no domingo, mas nada parecido com os 44% conquistados na Saxônia-Anhalt.

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