Luis Alberto Albán Urbano tinha 20 anos quando entrou nas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), grupo que empreendeu uma luta armada de mais de cinco décadas contra governos da Colômbia sob o argumento de que a via política estava bloqueada para a esquerda no país.
O ex-guerrilheiro ganhou um pseudônimo —Marcos Calarcá—, foi preso na Bolívia, participou de processos de negociação do grupo armado e comemorou seu aniversário de 60 anos antes de conseguir entrar no Congresso como deputado, em 2018.
Por isso, quando ouviu, em novembro de 2017, que deveria ir a uma entrevista coletiva no dia seguinte porque seria candidato à Câmara pelo departamento de Valle del Cauca, só conseguiu pensar: "Como assim.
Foi um susto enorme no início, e depois pensamos em como aprender rapidamente para atuar na política institucional", afirma Albán, que representou seu partido na Câmara de 2018 a 2026.
A entrega das armas e a criação dos Comunes, atual nome da agremiação, é vista como um dos principais triunfos do Acordo de Paz de 2016, cuja primeira versão, posteriormente reformulada após os colombianos rejeitarem o texto em um plebiscito, completou dez anos neste sábado (26).
As eleições legislativas de março de 2026, porém, confirmaram que a relevância eleitoral da legenda se devia aos assentos garantidos pelo pacto. Além de não eleger nenhum candidato, os Comunes tiveram seu pior desempenho desde a criação do partido.
Tal declínio seria, então, um fracasso da negociação? Para Albán, não.
O acordo abriu as portas para um governo de esquerda", afirma o ex-deputado sobre a gestão de Gustavo Petro, a primeira de esquerda da história recente da Colômbia.
Sua avaliação encontra eco entre especialistas que acompanharam os desdobramentos políticos do documento.
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