Ministros do governo federal e a deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP) estiveram em Coronel Sapucaia (MS) para ouvir lideranças indígenas e acompanhar denúncias de ameaças e violência contra os povos originários.
- Ministros visitam aldeia Taquapery em Coronel Sapucaia, após denúncias de ameaças contra indígenas.
- Como vivem as comunidades indígenas de Tacuru, que sofreram ameaça de envenenamento da água.
- Força Nacional faz patrulhamento em aldeias indígenas de MS após ameaças de envenenamento da água.
- Segundo servidor é afastado após áudio com ameaça de envenenar água de indígenas em MS.
Governo anuncia força-tarefa para acompanhar ameaças a indígenas em MS.
A visita na aldeia Taquaperi ocorreu em meio ao aumento de ataques e manifestações de ódio contra indígenas em Mato Grosso do Sul após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições.
Durante o encontro, as autoridades afirmaram que o governo federal criou uma força-tarefa para receber denúncias, acompanhar as investigações e buscar a responsabilização dos envolvidos.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, explicou que equipes dos ministérios dos Direitos Humanos, dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial vão atuar em conjunto para acompanhar os casos registrados em diferentes regiões do país.
Segundo ela, o trabalho também prevê medidas de proteção individual e coletiva, especialmente para comunidades indígenas que estejam sob ameaça.
Mais do que promessa, mais do que foto, mais do que conversa, a gente precisa trazer entregas", afirmou a ministra. Ela disse que uma equipe especializada em programas de proteção foi levada à região para avaliar as necessidades das comunidades e discutir medidas de segurança.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que as primeiras providências foram tomadas ainda na segunda-feira (26), quando o governo começou a receber os relatos de ameaças e violência política.
De acordo com ele, os ministérios iniciaram a articulação no mesmo dia e encaminharam os primeiros documentos. Na terça-feira, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal já haviam aberto investigações.
Terena também destacou que a proteção dos povos indígenas não é responsabilidade apenas do governo federal. Segundo ele, o governo estadual e as administrações municipais precisam assumir compromissos para garantir os direitos dessas comunidades.
Ministros apuram ameaças contra indígenas em MS.
Os direitos dos povos indígenas só serão efetivamente concretizados quando cada agente público assumir a sua responsabilidade", disse.
O ministro afirmou ainda que a rapidez na abertura das investigações representa uma mudança em relação ao que acontecia anteriormente em Mato Grosso do Sul, onde, segundo ele, crimes contra lideranças indígenas demoravam a ser investigados.
Mais de 100 denúncias de ameaças e racismo.
A deputada federal Sônia Guajajara afirmou que já foram registrados mais de 100 casos de ameaças e manifestações de racismo contra indígenas em Mato Grosso do Sul, São Paulo e outras regiões do país.
Ela disse que a visita a Coronel Sapucaia tem o objetivo de apurar as denúncias junto às forças de segurança que atuam na região, entre elas a Polícia Federal e a Força Nacional.
A parlamentar também afirmou que o governo pretende buscar a responsabilização dos envolvidos em crimes como ameaças, assassinatos e racismo.
Estamos aqui para fazer valer esse direito, para fazer com que o direito constitucional seja cumprido", declarou.
Guajajara também relacionou a mobilização à vitória de Lula nas eleições e afirmou que o presidente tem o compromisso de proteger os povos indígenas.
As autoridades reforçaram que pretendem manter o acompanhamento das denúncias e trabalhar para garantir a segurança das comunidades.
A visita à aldeia Sassoró, programada para a tarde deste sábado (31) ocorre após a divulgação de áudios atribuídos a dois servidores da Prefeitura de Tacuru em que um dos homens sugere colocar veneno na água consumida pelos indígenas.
As gravações circularam nas redes sociais após o resultado do segundo turno das eleições e provocaram medo entre os moradores. Em um dos trechos, um dos interlocutores diz: "Tem que matar essas pragas na água.
A prefeitura confirmou que os dois homens são funcionários municipais. Um deles trabalha como motorista de caminhão-caçamba, ligado à Secretaria de Infraestrutura, e o outro atua na área de coleta de resíduos, vinculada ao Meio Ambiente.
Os dois foram afastados das funções e são alvo de processos administrativos para apurar a conduta. Os nomes dos servidores não foram divulgados oficialmente.
Segundo o cacique da aldeia Sassoró, Ivan Montiel, aproximadamente 98% das casas da comunidade têm água encanada, abastecida por poços artesianos. O relato aumentou a preocupação dos moradores diante da ameaça mencionada nas gravações.
O caso também é acompanhado por órgãos federais, entre eles a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União.
Até o momento, não foram encontrados indícios de que a água tenha sido envenenada. Em outra apuração, relacionada a denúncias de mortes na região, o MPF não encontrou elementos que confirmassem que as vítimas eram indígenas.
Força Nacional atua em territórios indígenas.
A agenda dos ministros em Mato Grosso do Sul faz parte das medidas do governo federal para investigar denúncias de violência contra indígenas e reforçar a proteção das comunidades.
A Força Nacional de Segurança Pública já atua nos territórios indígenas. A visita também atende a uma determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pediu que representantes do governo fossem pessoalmente às comunidades para acompanhar a situação.
Em números
- A deputada federal Sônia Guajajara afirmou que já foram registrados mais de 100 casos de ameaças e manifestações de racismo contra indí
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