A preparação para a Corrida Internacional de São Silvestre, realizada tradicionalmente em 31 de dezembro, exige mais do que condicionamento físico. Com a aproximação da prova, corredores profissionais e amadores intensificam os treinos e aumentam as distâncias percorridas, mas especialistas alertam que a saúde do coração também deve fazer parte do planejamento.
Sábado, 31 de Outubro de 2026, 10h:25 - A | A.
Com a proximidade da prova de 15 quilômetros, orientação é respeitar os limites do corpo, reconhecer sinais de risco e saber como agir diante de uma emergência cardíaca.
Em 2025, a São Silvestre registrou 55 mil inscritos, recorde histórico. O crescimento da modalidade acompanha a expansão das corridas de rua no Brasil. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo), o número de provas oficiais aumentou 85% em 2025, passando de 2.
827 para 5. 241 eventos. A estimativa da entidade é de que o país tenha cerca de 15 milhões de praticantes.
Embora a corrida traga benefícios à saúde cardiovascular, sintomas como dor no peito, tontura, palpitações e falta de ar desproporcional ao esforço não devem ser ignorados.
Um estudo publicado em 2025 na revista científica JAMA analisou aproximadamente 29,3 milhões de participações em maratonas e meias-maratonas realizadas nos Estados Unidos entre 2010 e 2023.
Foram identificadas 176 paradas cardíacas, das quais 59 resultaram em morte, o equivalente a aproximadamente uma ocorrência a cada 167 mil participações.
A pesquisa apontou que os casos foram mais frequentes entre homens e durante maratonas, em comparação com meias-maratonas. Entre as ocorrências com causa identificada, a doença arterial coronariana foi a mais comum.
Apesar disso, a proporção de mortes entre as vítimas caiu de 71%, em um levantamento referente ao período de 2000 a 2009, para 34% entre 2010 e 2023. Os pesquisadores destacam a importância do reconhecimento rápido da emergência e da adoção de medidas de ressuscitação.
Para Denis Corrêa, instrutor da CoreHelp, instituição especializada em educação e treinamentos para situações de emergência, os números reforçam a necessidade de combinar preparação física com conhecimento sobre os sinais de alerta e as medidas de primeiros socorros.
Nas semanas que antecedem provas como a São Silvestre, é comum que os atletas aumentem gradualmente a intensidade e a duração dos treinos. Nesse período, é importante diferenciar o cansaço esperado de sintomas que podem indicar um problema de saúde.
Durante a corrida, o aumento dos batimentos cardíacos e da frequência respiratória é esperado. A preocupação surge quando o esforço é acompanhado de dor ou pressão no peito, falta de ar intensa, tontura, sensação de desmaio ou palpitações associadas ao mal-estar.
A recomendação é interromper imediatamente a atividade diante de sintomas preocupantes e procurar atendimento médico. Em casos de dor no peito, desmaio ou dificuldade respiratória intensa, é necessário buscar atendimento de urgência.
Mesmo que o desconforto desapareça, a orientação é não retomar a corrida antes de uma avaliação adequada.
Se um corredor cair durante um treino ou competição, os primeiros minutos podem ser decisivos. É necessário verificar se a pessoa responde aos chamados e se respira normalmente.
Caso esteja inconsciente e não apresente respiração normal, deve-se acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, e iniciar a ressuscitação cardiopulmonar (RCP).
As compressões torácicas devem ser realizadas no centro do peito, em uma frequência de 100 a 120 por minuto, até a chegada do socorro. Se houver um desfibrilador externo automático (DEA) disponível, o equipamento deve ser utilizado o quanto antes, seguindo suas instruções.
Em eventos esportivos, a presença de equipes de atendimento, profissionais capacitados e equipamentos adequados é fundamental. O conhecimento em primeiros socorros também pode fazer a diferença entre corredores, acompanhantes e espectadores.
O aumento gradual da intensidade dos treinos, o respeito aos períodos de descanso e a hidratação adequada são cuidados importantes para quem pratica corrida. Pessoas com doenças cardíacas conhecidas, sintomas durante o esforço ou histórico familiar de morte súbita devem procurar avaliação médica para receber orientações individualizadas.
Denis também ressalta a importância da capacitação da população para reconhecer emergências e prestar os primeiros socorros.
Para quem está se preparando para a São Silvestre ou qualquer outra prova, a orientação é respeitar os limites do corpo e não insistir no exercício diante de sintomas de risco.
Reconhecer a hora de parar e saber como agir em uma emergência também fazem parte de uma prática esportiva segura.
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