Defesa de Eduardo Razuk diz que rifas não eram ilegais.
Ao g1, o advogado de Eduardo Razuk, Thiago Bunning, afirmou que a manutenção da prisão ocorreu porque o juiz responsável pela audiência de custódia considerou não ter competência para analisar pedidos de liberdade.
A decisão do juiz na audiência de custódia é por manter a prisão, porque ele se diz incompetente para apreciar qualquer pedido de liberdade, deixa que a juíza do núcleo de garantia, que foi quem decretou a prisão, aprecie algum pedido", disse o advogado.
Segundo ele, a defesa também estuda impetrar habeas corpus diretamente no Tribunal de Justiça.
A defesa de Rafael Razuk também anunciou que recorrerá da decisão. O advogado João Paulo Calves afirmou que a prisão é ilegal e que a audiência de custódia não analisou o mérito dos argumentos apresentados pela defesa.
Ele entendeu que não seria o competente para analisar os argumentos que nós lançamos e agora a defesa vai encaminhar um habeas corpus para sustentar a ilegalidade dessas prisões", declarou.
Segundo Calves, embora o juiz pudesse avaliar os requisitos da prisão preventiva, optou por deixar a análise para a juíza das garantias que expediu os mandados.
A investigação da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc) aponta que o grupo realizava sorteios sem autorização nas redes sociais e utilizava empresas para dar aparência de legalidade aos valores arrecadados, lavando o montante milionário obtido com as rifas.
Segundo a polícia, os presos são suspeitos dos crimes de prática de rifas ilegais, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Após ter acesso ao inquérito no fim da quarta-feira (19), Thiago Bunning contestou os principais pontos da investigação. De acordo com ele, os sorteios divulgados por Eduardo Razuk possuíam autorização e eram vinculados a uma loteria oficial.
A gente pôde verificar que o delegado considera que não haveria autorização para os sorteios, mas é importante dizer que todos os sorteios são autorizados por uma loteria oficial, estão registrados esses sorteios, foram auditados", afirmou.
O advogado também sustentou que toda a renda obtida por Eduardo Razuk e pelas empresas ligadas a ele foi declarada à Receita Federal. "Toda a renda referida por ele é declarada no imposto de renda.
Os tributos são pagos, todos os bens que ele adquiriu, inclusive os veículos que foram apreendidos, estão todos registrados no nome dele, com documento e nota fiscal", disse.
Ainda segundo Bunning, não há elementos que sustentem a acusação de lavagem de dinheiro. "Não há nenhum crime antecedente e também não há lavagem de dinheiro, porque os bens são todos registrados no nome dele, com tributos pagos e com toda a documentação.
Eu tenho certeza que isso vai ser comprovado.
A defesa argumenta que os sorteios estavam vinculados a uma loteria oficial da Paraíba e que o ponto central da investigação seria uma divergência sobre a interpretação jurídica do papel desempenhado pelo influenciador na realização dos sorteios.
A loteria é uma loteria oficial do Estado da Paraíba, há uma lei que regulamenta isso e autoriza todo o sorteio da forma que ele é feito. O Eduardo é quem divulga o sorteio.
Essa é uma questão jurídica, um debate de interpretação", afirmou o advogado.
Bunning ressaltou ainda que Eduardo e Rafael Razuk não possuem antecedentes criminais e nunca teriam sido chamados para prestar esclarecimentos antes da operação.
Tanto Eduardo quanto o Rafael são primários, têm bons antecedentes. Eles nunca foram chamados para prestar esclarecimento sobre o sorteio, para apresentar alguma documentação.
Não tiveram chance de se defender, foram direto presos", declarou.
O advogado acrescentou que, embora a investigação mencione a realização de sorteios desde 2019, todos os sorteios realizados a partir de dezembro de 2025 estariam devidamente registrados.
Todos esses sorteios que foram feitos desde dezembro de 2025 são registrados, têm número de registro e toda a documentação junto a uma loteria oficial", afirmou.
Já a defesa de Rafael Razuk sustenta que não estão presentes os requisitos necessários para a manutenção das prisões preventivas.
Primeiro porque a gente entende que não tem os requisitos da prisão, especialmente a periculosidade deles, que não coloca em risco a sociedade, e especialmente em razão da ausência dos elementos centrais da existência de crime", argumentou o advogado João Paulo Calves.
Frota milionária com carros de luxo foi apreendida em galpão de influencerGolf-GTI: Razuk tinha coleção de carros vindos da Europa para MSQuem é o influencer preso e ligado a rifas de carros de luxo nas redes sociais.
De acordo com Cunha, entre 2019 e 2025, a atuação do grupo estava concentrada em Campo Grande. Nesse período, os investigados teriam realizado vários sorteios sem autorização e movimentado o dinheiro obtido com a prática.
A partir de 2025, o grupo teria mudado de estratégia. Segundo a polícia, após operações contra influenciadores envolvidos com rifas sem autorização em diferentes estados, os investigados passaram a buscar formas de dificultar a identificação da origem do dinheiro e dar aparência de legalidade aos sorteios.
Foi nesse contexto que, segundo a polícia, os irmãos teriam se associado a uma empresa do Rio de Janeiro e a outra da Paraíba.
Segundo o delegado, a empresa do Rio de Janeiro fazia a intermediação entre influenciadores digitais e a empresa da Paraíba. Conforme a investigação, a estrutura seria usada para criar uma suposta autorização para os sorteios.
Segundo Cunha, a entidade envolvida não teria autorização para permitir esse tipo de sorteio.
Com o avanço da investigação, a Polícia Civil pediu medidas cautelares contra os envolvidos. Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens que podem estar relacionados ao esquema.
Os 22 veículos de alto padrão apreendidos em Campo Grande foram alvo de sequestro judicial. Também foram determinadas medidas sobre imóveis e contas bancárias. Segundo a polícia, os bens poderão ser perdidos caso os investigados sejam condenados.
As buscas também tiveram como objetivo apreender celulares, computadores e outros dispositivos que possam ajudar a esclarecer como o grupo funcionava. O material será analisado pela polícia.
A investigação também deve verificar se há outros envolvidos e identificar possíveis novos crimes relacionados ao esquema.
O delegado explicou que, em princípio, quem comprou as rifas ou recebeu algum prêmio não será responsabilizado criminalmente apenas por participar dos sorteios.
A situação pode ser diferente se houver comprovação de envolvimento dessas pessoas com as práticas criminosas.
Segundo Cunha, a falta de autorização também impede a fiscalização dos sorteios. Com isso, não é possível verificar, por exemplo, se houve fraude ou se dinheiro de outros crimes foi misturado aos valores movimentados pelas rifas.
A investigação continua com a análise do material apreendido. As contas usadas pelos investigados nas redes sociais também podem ser bloqueadas se ficar comprovado que foram utilizadas para a prática dos crimes.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 MS, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.