Ir para o conteúdo

Quinta-feira, 8 de outubro de 2026 | Corumbá - MS | 27°C Céu limpo

Mato Grosso do Sul

Buracos, lama e poeira: moradores de Campo Grande cobram asfalto após décadas de espera

Falta de pavimentação dificulta o trânsito, provoca acidentes e prejudica a rotina de moradores. Obras anunciadas pela prefeitura ainda enfrentam entraves.

4 min de leitura
Buracos, lama e poeira: moradores de Campo Grande cobram asfalto após décadas de espera

Moradores de bairros de Campo Grande enfrentam dificuldades para circular pelas ruas por causa dos buracos, da lama e da poeira. Enquanto aguardam obras de pavimentação prometidas pelo poder público, alguns têm problemas até para sair de casa de carro.

Pacote prevê asfalto em 29 bairros de Campo Grande, com fiscalização do TCE-MS.

Próximo a chácara cachpeira, os buracos já provocaram acidentes e obrigam motoristas a fazer manobras perigosas. Em outros bairros, a falta de asfalto dificulta a circulação, principalmente para idosos e pessoas com deficiência.

Na Vila Manoel da Costa Lima, buracos dificultam o acesso a um condomínio e ao Centro de Atendimento à Mulher. Segundo o policial militar da reserva Claudinei Braz, a prefeitura já foi notificada, mas ainda não resolveu o problema.

Segundo Claudinei, o trecho recebe muitos veículos, incluindo ônibus e micro-ônibus que transportam passageiros de bairros como o Tiradentes. Por causa dos buracos, alguns motoristas precisam passar pela contramão, o que aumenta o risco de acidentes.

A encarregada de recursos humanos Claudia Clixto conta que sofreu um acidente no fim da tarde, quando tentava entrar no condomínio. Ela reduziu a velocidade e sinalizou a conversão, mas um motociclista que vinha muito próximo não conseguiu frear e bateu no carro.

O problema se repete em outras ruas da cidade.

No bairro Santa Emília, a Rua Coronel Adalto Barbosa não tem asfalto e fica perto de uma escola. Nos dias secos, a poeira invade as casas. Quando chove, a lama toma conta da rua e acaba entrando nos imóveis.

A empresária Juliana Torres de Souza Silva afirma que as condições das ruas afetam diretamente a rotina das famílias, principalmente de quem tem crianças pequenas ou problemas respiratórios.

Após um temporal, moradores e comerciantes tiveram trabalho para limpar a sujeira deixada pela água. Mesmo depois da chuva, os problemas continuaram. Em alguns trechos, motoristas precisam improvisar para não atolar.

Em outros, os desníveis e as valetas dificultam até a entrada e a saída de carros das garagens.

Cansados de esperar por uma solução, os moradores decidiram tapar os buracos por conta própria.

Apesar do anúncio de novas obras de pavimentação, moradores do Santa Emília ainda desconfiam que o asfalto saia do papel. Segundo eles, a espera pela pavimentação já dura mais de 50 anos.

Apenas as ruas por onde passa o ônibus são asfaltadas.

Em frente à casa de Giovanni, o desnível da rua dificulta a entrada na garagem. Segundo ele, foi necessário trocar de carro porque o veículo anterior não conseguia passar pelo trecho.

Quando chove, a água abre uma valeta no local.

Ciclistas também precisam redobrar a atenção para desviar dos buracos e das irregularidades nas ruas.

Em 25 de agosto, a Prefeitura de Campo Grande anunciou obras de pavimentação em 29 bairros. O pacote prevê 16 lotes de obras nos bairros Guanandi 2, Jardim Noroeste, Jardim Tarumã, Losão, Los Angeles, Coophavila 2 e Santa Emília.

As obras serão executadas por 12 empresas de engenharia e incluem a instalação de asfalto e sistemas de drenagem. O programa prevê melhorias em mais de 80 quilômetros de ruas, sob fiscalização do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS).

Apesar do anúncio, Solange Xavier, moradora do Santa Emília há 13 anos, diz que prefere esperar para comemorar. Segundo ela, a promessa de asfalto se repete há anos, sem que os moradores vejam o resultado.

O pacote de obras anunciado pela prefeitura não inclui o Aero Rancho. No bairro, moradores também enfrentam dificuldades para circular por ruas sem asfalto.

Nival Medeiros dos Santos mora no bairro há mais de 40 anos e afirma que os buracos e a lama dificultam a circulação. Ele usa muletas e diz que as condições das ruas também prejudicam cadeirantes e idosos.

Na Rua Bueno, também no Aero Rancho, Diego Carvalho de Souza e a mãe convivem com os problemas há anos. Segundo ele, a promessa de asfalto se repete, mas a obra ainda não foi realizada.

Dos 16 lotes de pavimentação anunciados, quatro estão sob análise do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS). Segundo o órgão, em dois casos, a prefeitura ainda não havia formalizado a contratação.

Nos outros dois, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) suspendeu os procedimentos para fazer ajustes técnicos.

O tribunal informou que os processos estão na divisão de engenharia, responsável por analisar as informações apresentadas pela prefeitura.

Desde o anúncio das obras, em agosto, os moradores enfrentaram novos períodos de chuva e de tempo seco. Enquanto aguardam o início dos trabalhos, continuam convivendo com lama e poeira.

Ainda não há uma data definida para a pavimentação dos trechos que seguem sem asfalto.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…