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Corumbá - MS | Sexta-feira, 6 de novembro de 2026 | 15:53

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Wall Street perde trilhões em um dia: o que derrubou as ações de IA

Vitória democrata aumentou o temor de restrições à construção de centros de dados e atingiu em cheio ações ligadas à IA. Juros altos e dúvidas sobre o retorno d

5 min de leitura
Wall Street perde trilhões em um dia: o que derrubou as ações de IA

Os principais índices de Wall Street fecharam em forte queda na última quinta-feira (5), pressionados pelas ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA).

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O movimento veio em meio ao temor de que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos resulte em regras mais rígidas para o setor e desacelere a expansão dos centros de dados no país.

O Nasdaq Composite, que concentra empresas de tecnologia, despencou 5,52%, para 24. 315 pontos, na maior queda em um único dia desde abril de 2025. O S&P 500 recuou 4,36%, para 7.

353,73 pontos, enquanto o Dow Jones caiu 3,44%, para 51. 523,06 pontos.

O Nasdaq também entrou no chamado território de correção, quando um índice acumula queda de pelo menos 10% em relação a um pico recente. O indicador encerrou o pregão quase 12% abaixo do recorde alcançado em 6 de outubro.

Essa também foi a maior queda diária do Nasdaq desde o anúncio das tarifas do chamado “Dia da Libertação” pelo presidente Donald Trump, em abril de 2025. O pregão também marcou o segundo dia consecutivo de vendas de ações ligadas à inteligência artificial e a quinta queda superior a 500 pontos do índice desde meados de outubro.

Por que a vitória democrata afetou as empresas de IA.

Os democratas conquistaram o controle do Congresso nas eleições de terça-feira (3), além de obterem vitórias em estados onde aumentou a oposição à instalação de novos centros de dados.

O resultado alimentou o temor de que uma regulamentação mais rígida desacelere a expansão da infraestrutura de inteligência artificial, que esteve entre os principais fatores de valorização das ações americanas nos últimos anos e ajudou a levar empresas do setor a níveis recordes em 2026.

Vários candidatos democratas eleitos fizeram campanha defendendo uma redução no ritmo de construção de centros de dados. Moradores de dezenas de cidades americanas também aprovaram restrições ou proibições à instalação dessas estruturas.

A preocupação dos investidores é que novas regras, restrições locais e dificuldades para obter licenças atrasem projetos bilionários de infraestrutura. Os centros de dados reúnem grandes quantidades de servidores e chips necessários para desenvolver e operar sistemas de IA, além de exigirem elevados volumes de energia e água.

Analistas do UBS estimam que cerca de 30% do aumento previsto na capacidade dos centros de dados dos Estados Unidos até 2028 pode estar em risco diante de eventuais paralisações ou atrasos nas construções.

Uma desaceleração desses projetos pode reduzir ou adiar a procura por chips, servidores, equipamentos e energia. Isso afetaria as receitas esperadas por empresas de diferentes segmentos da cadeia de inteligência artificial.

Fabricantes de chips lideram perdas.

As fabricantes de semicondutores, diretamente expostas à expansão dos centros de dados, ficaram entre as empresas mais atingidas. O índice Philadelphia SE Semiconductor despencou mais de 12% e atingiu o menor nível em mais de seis meses.

A AMD recuou cerca de 17%, assim como a Micron. A Broadcom caiu aproximadamente 10%, enquanto a Intel também perdeu pouco mais de 10%.

A Qualcomm tombou 9,5% após a fabricante de chips apresentar uma previsão para as vendas de componentes destinados a smartphones no quarto trimestre abaixo das estimativas de Wall Street.

Nesse caso, a pressão sobre as ações também esteve relacionada às perspectivas específicas da empresa, além da onda mais ampla de vendas no setor.

Queda atinge centros de dados, energia e big techs.

As perdas também atingiram empresas diretamente envolvidas na construção e na operação da infraestrutura de inteligência artificial.

IREN, Applied Digital e Cipher Digital despencaram mais de 14% cada uma. A CoreWeave caiu quase 10%, enquanto a Nebius perdeu cerca de 15%.

CoreWeave e Nebius fazem parte do grupo de empresas conhecidas como “neoclouds”, especializadas em fornecer infraestrutura de computação em nuvem voltada principalmente a aplicações de inteligência artificial.

As ações das duas companhias acumulam quedas de 50% ou mais desde que o Nasdaq atingiu seu recorde, em 6 de outubro.

A pressão também chegou às empresas de serviços públicos e fornecedoras de equipamentos ligadas à expansão dos centros de dados. A GE Vernova caiu cerca de 7,5%, enquanto a Constellation Energy recuou 2,5%.

Entre as grandes empresas de tecnologia, a Meta perdeu aproximadamente 4%. Amazon e Alphabet recuaram 2,2% cada uma, enquanto a Microsoft caiu 3,6%.

Setor já enfrentava dúvidas sobre custos e retorno.

Embora a vitória dos democratas tenha funcionado como gatilho para a queda, a intensidade do movimento também reflete preocupações que já vinham pressionando as empresas de inteligência artificial.

Investidores têm questionado o retorno dos enormes volumes de recursos destinados à tecnologia, os custos de construção dos centros de dados e a capacidade de empresas do setor de financiar novos projetos em um ambiente de juros mais altos e condições financeiras mais restritivas.

Essas preocupações afetam sobretudo empresas menores, cuja capacidade de captar recursos já estava limitada. Também aumentam a pressão sobre companhias que acumularam fortes valorizações com as expectativas em torno da IA, mas ainda precisam demonstrar que os investimentos bilionários poderão se transformar em receitas e lucros.

*Com informações das agências de notícias Reuters e France Presse.

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