Vídeos falsos produzidos por inteligência artificial e informações de baixa qualidade já representam uma ameaça maior às eleições e à democracia do que as tradicionais fake news.
- crescimento do uso de vídeos na desinformação.
- uso de IA generativa para produzir conteúdos enganosos.
- direcionamento de mensagens a perfis específicos.
- técnicas que tornam narrativas falsas mais convincentes.
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É o que aponta o novo Guia Internet, Democracia e Eleições, publicado pelo CGI.br.
A desinformação também deixou de depender de uma única plataforma. Segundo o guia, conteúdos enganosos circulam ao mesmo tempo em diferentes ambientes digitais, com o vídeo passando a ser o principal vetor.
Em geral, esses vídeos vêm acompanhados de textos curtos que ajudam a sustentar e dar aparência de legitimidade à narrativa falsa. A IA generativa, que já apareceu no ciclo eleitoral de 2022, deve ganhar ainda mais espaço neste ano, combinada a ferramentas capazes de direcionar mensagens para perfis específicos.
Entre os pontos destacados pelo CGI.br estão.
Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas cidades onde vivem.
O realismo das deepfakes está entre as principais preocupações levantadas pelo estudo. À medida que essas ferramentas avançam, identificar uma falsificação pode se tornar difícil até para pessoas acostumadas a avaliar informações.
A consequência pode ir além de acreditar em uma mentira. O guia alerta para a possibilidade de que a multiplicação de conteúdos falsos provoque desconfiança até diante de informações verdadeiras.
A perda de confiança na imprensa e no Judiciário, associada à polarização política, também aparece como fator de preocupação. Segundo o guia, esse ambiente pode favorecer situações em que convicções pessoais acabam se sobrepondo à checagem dos fatos.
O estudo chama atenção para outro comportamento: a tendência de buscar conteúdos que confirmem aquilo que a pessoa já pensa. Informações contrárias às próprias convicções podem ser descartadas.
O guia chama esse mecanismo de racionalidade motivada e aponta seu potencial de reforçar posições ideológicas.
Os influenciadores também entram nessa discussão. O CGI.br reconhece sua relevância na comunicação digital, mas ressalta uma diferença em relação ao jornalismo: eles não seguem um código de ética nem respondem institucionalmente pela veracidade de suas afirmações da mesma forma que o jornalismo.
A publicação explica o funcionamento dos sistemas de recomendação e discute o impacto da IA generativa nas eleições. Também apresenta conceitos ligados às deepfakes e aos modelos de linguagem conversacionais.
O material reúne ainda orientações para instituições enfrentarem a desinformação e recomendações para que cidadãos não se tornem vítimas ou propagadores de conteúdos falsos ou enganosos.
A mudança apontada pelo CGI.br mostra como a desinformação eleitoral passou a combinar novos formatos, inteligência artificial e diferentes canais de distribuição.
O desafio envolve não apenas identificar uma informação falsa, mas também compreender como ela é produzida e chega a públicos específicos.
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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