Ir para o conteúdo
Inteligência Artificial Revisado por ULTRA AI

Computação quântica em cinco números que explicam a corrida

Qubits, temperaturas extremas e bilhões investidos: cinco números com fonte para entender a escala real da computação quântica hoje.

4 min de leitura
Inteligência Artificial — imagem padrão

A computação quântica saiu dos laboratórios e virou assunto de investidor, governo e chefe de segurança da informação. Mas o debate costuma travar na parte mais difícil: qual é o tamanho real dessa tecnologia hoje.

Em vez de promessas, cinco números. Cada um com a fonte ao lado. Juntos, eles dão a escala do que já existe, do que ainda falta e de quanto dinheiro está em jogo.

1. 105 qubits — o chip que virou notícia.

O Willow, processador quântico apresentado pelo Google no fim de 2024, opera com 105 qubits supercondutores. O número parece modesto perto dos bilhões de transistores de um celular, e é mesmo.

A comparação, porém, não faz sentido: um qubit não é um transistor.

O que chamou atenção no Willow não foi a quantidade, e sim a qualidade. A equipe relatou que, ao aumentar o tamanho do arranjo de qubits, a taxa de erro caiu em vez de subir — um marco chamado de correção de erro “abaixo do limiar”.

2. 10 septilhões de anos — a conta que ninguém faz.

O Google afirmou que o Willow resolveu um cálculo de referência em menos de cinco minutos. O mesmo problema levaria cerca de 10 septilhões de anos (o número 1 seguido de 25 zeros) no supercomputador clássico mais rápido disponível.

Vale o alerta: esse teste, conhecido como random circuit sampling, é um exercício sem aplicação prática. Ele mede vantagem computacional, não utilidade. Pesquisadores independentes já contestaram estimativas parecidas em anúncios anteriores.

3. 15 milikelvin — mais frio que o espaço.

Chips quânticos supercondutores só funcionam dentro de refrigeradores de diluição, a temperaturas próximas de 15 milikelvin — cerca de 0,015 grau acima do zero absoluto.

Para comparar: o espaço interestelar tem por volta de 2,7 kelvin, herança da radiação cósmica de fundo. Ou seja, o interior desses equipamentos é centenas de vezes mais frio que o vácuo do universo.

É por isso que a foto clássica de um computador quântico mostra um lustre dourado de tubos: aquilo é o sistema de refrigeração, não o processador.

4. Menos de 1 milhão de qubits — o risco para a criptografia.

A pergunta que tira o sono de bancos e governos é quantos qubits seriam necessários para quebrar a criptografia RSA-2048, base de boa parte das comunicações seguras na internet.

Uma estimativa de 2019 apontava cerca de 20 milhões de qubits ruidosos para o feito em oito horas. Em 2025, uma revisão do mesmo pesquisador reduziu drasticamente a conta: menos de 1 milhão de qubits em alguns dias de processamento.

Nenhuma máquina atual chega perto disso. Mas a queda de 20 milhões para 1 milhão em seis anos explica a pressa de órgãos como o NIST em padronizar a criptografia pós-quântica.

5. Dezenas de bilhões de dólares em compromissos públicos.

A computação quântica é, ao mesmo tempo, mais avançada e mais distante do que parece. Os chips já existem e funcionam. A escala necessária para aplicações que mudam a vida real — química de novos materiais, logística, quebra de criptografia — ainda está algumas ordens de grandeza à frente.

A ONU declarou 2025 o Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quântica. Os próximos números virão rápido.

Wharrysson Lacerda é editor(a) chefe no Olhar Digital.

Em números

  • Menos de 1 milhão de qubits — o risco para a criptografia
  • Uma estimativa de 2019 apontava cerca de 20 milhões de qubits ruidosos para o feito em oito horas
  • Em 2025, uma revisão do mesmo pesquisador reduziu drasticamente a conta: menos de 1 milhão de qubits em alguns dias de processamento
  • Mas a queda de 20 milhões para 1 milhão em seis anos explica a pressa de ór

Fontes

Informação baseada em material público de Olhar Digital, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Olhar Digitallink