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Um ano após título inédito, Ponte mergulha em crise e ruma de volta à Série C

Time de Campinas convive com salários atrasados, greve do elenco e debandada de atletas

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Esportes — imagem padrão

A Ponte Preta saiu do estado de festa pelo primeiro título nacional de sua história, conquistado em 2025, para viver a maior crise de seus 126 anos. O triunfo na Série C do Campeonato Brasileiro, que era visto como o marco do início de uma retomada, foi seguido de uma temporada de turbulência dentro e fora de campo, com o time na lanterna da Série B, fadado a cair novamente à terceira divisão.

Ainda que o título da Série C sozinho não fosse o suficiente para resolver a crise financeira, havia a esperança de que o acesso pudesse aliviar os cofres do clube.

Há sérios problemas de caixa desde 2017, quando o time começou a atrasar salários e direitos de imagem dos atletas.

No período, foram somente três pontos somados, nos empates com Botafogo-SP, Athletic e Náutico. Das 16 derrotas que acumula nessa sequência, a mais recente escancarou a delicada situação financeira do clube.

Sob a justificativa de que os salários estão atrasados há mais de seis meses, o elenco entrou em greve.

O que foi incomodando os atletas não foi somente a questão dos atrasos mas também o abandono da diretoria", afirma à Folha o advogado Filipe Rino, representante dos jogadores que aderiram ao movimento.

Segundo Rino, atletas que estão no clube desde o início da temporada trabalharam por cerca de oito meses e receberam o equivalente a apenas dois meses de salário, em pagamentos fragmentados.

Para ele, o problema deixou de ser apenas financeiro e passou a envolver também a falta de respostas da diretoria, o que motivou a greve.

Sem o elenco principal, o técnico Gilson fez sua estreia na equipe no último domingo (30) com apenas atletas da base à sua disposição. Essa foi a solução encontrada pela diretoria da Ponte para evitar uma derrota por WO no duelo contra o América-MG.

A garotada até conseguiu segurar o time mineiro no primeiro tempo, mas sofreu dois gols depois do intervalo. Foi a 19ª derrota do time de Campinas na Série B.

O resultado fez a Ponte Preta igualar a sequência do ABC, que teve em 2015 a maior sequência sem vitória na competição.

Inicialmente, a ideia dos jogadores era retomar as atividades somente com os salários regularizados. Mas eles mudaram o plano.

Os jogadores não receberam satisfação nem dinheiro, mas decidiram voltar a treinar simplesmente porque perceberam que a diretoria não deu a mínima bola para a situação.

A decisão de voltar, segundo o advogado, ocorreu também para evitar que o protesto provocasse um dano ainda maior à instituição e à torcida.

Nem todos vão voltar a jogar pelo clube, já que a greve foi seguida por uma debandada. Jogadores passaram a deixar o clube e buscar na justiça desportiva a rescisão indireta dos contratos devido aos atrasos.

Léo Gomes e Daniel Baianinho são exemplos recentes. Baianinho teve o empréstimo encerrado após decisão judicial.

A diretoria reconhece os atrasos e também o direito dos atletas de protestar. "Aquele que não recebe o salário tem o direito à greve, tem o direito à paralisação, como em qualquer outra profissão", diz à Folha o vice-presidente de futebol do clube, Marco Antonio Eberlin.

Quem está errada é a Ponte Preta", acrescenta o presidente do clube, Luiz Antônio Alves Torrano. "Acho ruim, porque fere a imagem da Ponte Preta. Mas eu não posso dizer para os atletas que eles estão errados", afirma.

A Ponte Preta também foi rebaixada no Campeonato Paulista deste ano. A equipe fez apenas 1 ponto em 8 jogos na competição.

A versão da diretoria é que a crise atual é consequência de um passivo acumulado por diferentes administrações. Torrano afirma que a dívida começou a ganhar força ainda nos anos 1990 e atingiu seu auge em 2021.

Como saída para a crise, a diretoria enxerga a transformação do clube em SAF (Sociedade Anônima do Futebol). O presidente da equipe, porém, nega que isso signifique vender a instituição.

Não estamos vendendo nada. A Ponte Preta por inteiro não vai ser SAF, apenas o departamento de futebol profissional e amador", afirma.

O Conselho da Ponte Preta vai se reunir no próximo dia 19 para votar a mudança necessária no estatuto do clube para a transformação em SAF.

A votação, porém, não representa ainda a aprovação definitiva de um investidor ou de um contrato de SAF. Segundo Eberlin, o primeiro passo é autorizar a transformação do departamento de futebol.

O que nós estamos pedindo neste momento é autorização para o departamento de futebol da Ponte se constituir SAF", diz Marco.

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