Os jogadores do Goiás, dentre eles nomes como Tadeu, Lucas Rodrigues, Kadu Sousa e Jean Carlos, divulgaram nesta segunda-feira uma carta aberta explicando o "silêncio" adotado após a vitória por 2 a 1 sobre o Avaí, domingo, na Serrinha.
- JornalismoComo Porsche de R$ 372 mil sumiu após apreensão e voltou para o antigo donoTocantins · g1.
Goiás 2 x 1 Avaí | Melhores Momentos | 29ª rodada | Brasileirão Série B 2026.
O ato foi em protesto aos salários atrasados no clube. Na ocasião, os atletas não concederam entrevista. O técnico Mozart também optou por não falar, em solidariedade ao elenco.
O texto da carta aberta publicada por eles nas redes sociais nesta segunda diz.
O que aconteceu ao final da partida contra o Avaí não foi uma decisão fácil. Pelo contrário. Para nós, jogadores, o silêncio diante da imprensa foi uma forma de expressar algo que há algum tempo estamos tentando resolver internamente, com diálogo, respeito e confiança.
Existem vencimentos em atraso, incluindo valores referentes a CLT, direitos de imagem e premiações. Semana após semana, convivemos com promessas de regularização e com a expectativa de que os compromissos assumidos sejam cumpridos.
O Goiás informou que não irá se manifestar sobre a carta aberta dos atletas.
Segundo apurou o ge, o atraso em relação aos atletas envolve dois meses de salários, dois meses de direitos de imagem e cinco premiações por vitórias.
Funcionários do Goiás também estão com pelo menos um mês (agosto) de salário atrasado.
Os jogadores decidiram adotar silêncio porque houve uma promessa da diretoria, não cumprida, de que uma parte dos atrasados seria paga nos últimos dias, o que não aconteceu.
Veja a íntegra da carta aberta dos atletas do Goiás.
CARTA ABERTA DOS ATLETAS DO GOIÁS ESPORTE CLUBE.
Entramos em campo, treinamos e trabalhamos todos os dias honrando uma camisa que representa milhões de pessoas. E seguimos fazendo isso mesmo diante de uma realidade que tem sido difícil para todos nós.
Ainda assim, em nenhum momento deixamos de trabalhar.
Treinamos. Jogamos. Viajamos. Nos entregamos em cada partida. Vencemos jogos. Lutamos pelo Goiás dentro de campo. Fizemos o que sempre nos foi pedido: honrar a camisa e representar o clube da melhor maneira possível.
Nosso posicionamento não é uma atitude contra o Goiás Esporte Clube. Muito menos contra o torcedor, que sempre esteve ao nosso lado e que merece todo o nosso respeito.
É justamente por respeitarmos o clube, a instituição e quem trabalha por ela que entendemos ser necessário tornar pública uma situação que já não pode ser tratada apenas nos bastidores.
E existe uma razão ainda maior para este movimento.
Estamos falando também pelos funcionários do Goiás, especialmente aqueles que recebem os menores salários e que enfrentam dificuldades ainda maiores quando seus vencimentos não são pagos em dia.
São profissionais que chegam cedo, trabalham diariamente, cuidam da estrutura do clube, dos campos, da limpeza, da alimentação, da segurança, do atendimento e de tantas outras funções fundamentais para que o futebol aconteça.
São pessoas que, assim como nós, têm famílias, contas para pagar e responsabilidades que não podem esperar.
Por isso, nosso silêncio ontem também foi por eles.
Sabemos da responsabilidade que carregamos quando vestimos esta camisa. Sabemos que o torcedor não tem culpa dos problemas internos do clube e que, dentro de campo, espera de nós entrega, dedicação e resultado.
E é exatamente isso que temos procurado entregar.
Mas também somos trabalhadores. Temos compromissos, famílias e direitos. O que pedimos é simples: que os compromissos assumidos sejam cumpridos e que todos aqueles que trabalham pelo Goiás sejam tratados com respeito e dignidade.
Nossa intenção não é criar conflitos. É buscar uma solução.
Queremos que o Goiás esteja forte, organizado e unido. Queremos voltar nossas atenções exclusivamente para o futebol, para os treinamentos, para os jogos e para o objetivo que todos compartilhamos: ver o Goiás onde ele merece estar.
Seguiremos entrando em campo com a mesma dedicação.
Mas entendemos que honrar a camisa também é ter coragem para defender aqueles que fazem parte dela todos os dias.
Pelo Goiás. Pelos atletas. Pelos funcionários. Pelas nossas famílias. E, acima de tudo, pelo respeito a todos que trabalham e lutam diariamente por este clube.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…