As quatro principais ligas europeias —a Premier League inglesa, a La Liga espanhola, a Serie A italiana e a Bundesliga alemã— pediram, nesta sexta-feira (25), uma reforma na governança da Fifa, que está mergulhada em crise desde que a tentativa fracassada de abri-la a investidores privados veio à tona.
Uma reforma fundamental da governança é essencial para restabelecer limites estatutários claros dentro da Fifa e para garantir, de forma comprovável, que os processos disciplinares individuais estejam livres de qualquer interferência política", escreveram as quatro ligas em um comunicado enviado à AFP.
A posição do presidente da Fifa, Gianni Infantino, ficou fragilizada depois que ele impôs, sem consulta prévia, o projeto de criação de uma entidade comercial chamada FFE (Fifa Forward Enterprise).
Candidato à reeleição em março de 2027, o dirigente ítalo-suíço propôs na segunda-feira uma "consulta" com as federações nacionais para reformar a governança da organização.
É verdade que o presidente da Fifa reconheceu a necessidade de uma reforma, mas mudanças superficiais ou meramente processuais na sequência do caso FFE são insuficientes", declararam as quatro principais ligas europeias, que descreveram o projeto da FFE como "um dos mais graves abusos de poder na história da organização.
Premier League, La Liga, Serie A e Bundesliga propuseram a criação de "um órgão permanente" que represente as "associações nacionais, ligas, clubes e jogadores, tanto do futebol masculino quanto do feminino.
Este órgão deve ser "plenamente informado sobre novas iniciativas e desempenhar um papel significativo no processo de tomada de decisões da Fifa.
Qualquer proposta importante da Fifa deve ser baseada em uma justificativa claramente definida, evidências sólidas e uma avaliação independente —publicada antes de qualquer decisão— que leve em consideração jogadores, clubes, ligas e torcedores, e avalie o impacto em todas as partes interessadas, assim como no desenvolvimento do futebol", afirmaram as quatro ligas.
Elas exigiram ainda "a proteção do papel regulatório da Fifa em relação à sua função comercial.
As quatro competições apelaram aos candidatos à presidência da Fifa que "endossem esses princípios e, nos primeiros 100 dias do próximo mandato presidencial, convoquem uma convenção sobre governança.
Esta reunião deve ser "presidida por uma figura independente e reunir as associações membros, assim como toda a comunidade do futebol.
Seu objetivo seria "apresentar um relatório público em até seis meses.
Infantino é atualmente o único candidato à presidência da Fifa nas eleições marcadas para 18 de março de 2027, sendo o prazo para apresentação de candidaturas 18 de novembro.
Apesar da desistência do projeto FFE, a Uefa (União das Associações Europeias de Futebol), a Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe) e a AFC (Confederação Asiática de Futebol) mantêm a pressão sobre Infantino, exigindo sua renúncia.
Nesse sentido, a Uefa prepara um processo por "administração desleal" contra o presidente da Fifa e busca um candidato para desafiar Infantino.
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