A crise financeira que assola a muitos clubes grandes do futebol brasileiro não é uma casualidade. Com o mercado de transferências aberto, a irresponsabilidade de nossos dirigentes é provocada e os maus negócios são feitos à luz do dia, muitas vezes com o beneplácito de torcedores, que vão ao aeroporto receber o novo contratado com a mesma facilidade que invadem os centros de treinamentos quando o reforço não reforça o seu time.
Aqui não vai nenhum tipo de análise clubista, antes que pensem que vou escrever sobre um determinado clube. A crítica é geral, com poucas exceções. Não é segredo para ninguém que muitos dos nossos clubes grandes estão passando por graves problemas financeiros, mas vemos que continuam contratando jogadores caríssimos, sem ter a menor condição para honrar os contratos.
A saída de Memphis Depay do Corínthians foi um festival de equívocos e confusões. Na verdade, se olharmos a situação do clube, a contratação do jogador holandês foi o primeiro erro, por mais que ele tenha ajudado a conquistar alguns títulos.
A conta não iria fechar de nenhuma maneira. E a forma que ele saiu do clube foi mais uma vergonha dos dirigentes.
O Atlético Mineiro está fechando a contratação de Fred, que estava no Fenerbahçe. O atleta de 33 anos assinará por três anos e meio, e será um dos maiores salários do clube.
O Fluminense contratou Hulk a peso de ouro, e a torcida tem vaiado o jogador em todos os jogos. O maior problema é que esses jogadores cobram como se estivessem no melhor momento de suas carreiras, e entregam bem menos dentro de campo.
O Santos tem uma dívida altíssima com Neymar. O craque veio para o Santos por ter uma ligação umbilical e para tentar jogar a Copa do Mundo, mas seu rendimento até agora ficou longe do que todos esperavam.
É outro caso de custo-benefício muito alto. E estamos falando do maior craque do país nos últimos 15 anos. Mas Neymar não é mais aquele jogador incrível, e nem o Santos um clube com as contas no azul.
Poderia escrever sobre o Vasco, Internacional, Cruzeiro, Botafogo, Grêmio ou São Paulo, e até mesmo sobre Flamengo e Palmeiras, que têm situação financeira mais equilibrada, mas que contratam jogadores muito acima do valor de mercado.
Será que investir na base, com planejamento e critério, não daria melhores resultados, esportivos e financeiros? Todos os clubes citados sempre foram grandes fábricas de talentos.
O tão falado Fair Play fincanceiro seria importante para brecar os impulsos megalomaníacos dos nossos dirigentes, que adoram aparecer na foto com o novo contratado.
Os jogadores não têm culpa de receber salários altíssimos, mas a média salarial dos grandes clubes, quase todos endividados, é completamente fora da nossa realidade.
Enquanto isso estamos vendendo nossas jovens promessas cada vez mais cedo para aliviar as dívidas e para trazer jogadores com muito passado, mas sem presente e, muito menos, futuro.
Tudo isso respercute no desempenho da nossa seleção. E o pior é que vejo pouca disposição para mudar esse cenário.
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Fontes
Informação baseada em material público de ge.globo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.