Guarani optou pela saída do técnico Elio Sizenando.
Elio Sizenando viveu seus últimos momentos como técnico do Guarani no último sábado, no Almeidão, em João Pessoa. O treinador foi comunicado sobre a saída horas depois da derrota de virada por 3 a 1 para o Botafogo-PB, pela penúltima rodada da primeira fase da Série C.
Até então, a expectativa de Elio era permanecer no comando para a última rodada. Depois da partida, o treinador concedeu um rápido pronunciamento e já projetava o confronto com o Brusque, no próximo sábado, no Brinco de Ouro.
A decisão, porém, partiu da diretoria e mudou o planejamento para a partida que pode definir a classificação ao quadrangular final.
A queda de rendimento foi o principal fator. O Guarani venceu apenas uma das últimas oito partidas e perdeu a vantagem que havia construído no G-8. O Bugre chegou a liderar a Série C, mas entrou na rodada final com 27 pontos e ainda ameaçado de ficar fora da próxima fase.
Além dos resultados, porém, havia um desgaste crescente entre Elio e parte do elenco. A relação já era acompanhada internamente pelo departamento de futebol, principalmente pela maneira como alguns jogadores passaram a ser utilizados - ou deixaram de ser utilizados - durante a sequência ruim.
O assunto, inclusive, foi abordado publicamente na semana passada. Na quinta-feira, o zagueiro Jonathan Costa foi questionado sobre um possível distanciamento entre comissão técnica e elenco e afirmou que o vestiário estava fechado com Elio.
A declaração, naquele momento, representava a posição do grupo. Internamente, porém, havia diferentes percepções sobre o treinador. Parte dos jogadores tinha relação positiva com Elio, especialmente atletas que chegaram ao clube ou ganharam espaço durante o trabalho do técnico.
É o caso de Carlos Eduardo, Neto Costa e Matheus Guilherme, que trabalharam com Elio no Capivariano antes de reencontrá-lo no Guarani.
Elio vive momento de pressão após sequência ruim na Série C.
Por outro lado, jogadores com menos participação passaram a demonstrar incômodo com a falta de oportunidades. O caso mais evidente foi o do argentino Diego Torres, que recebeu férias depois de não chegar a um acordo para uma rescisão amigável.
O meia não entra em campo há três meses.
Outros atletas que perderam espaço ao longo do trabalho também geraram questionamentos internos sobre os critérios utilizados pela comissão técnica.
A relação com o elenco não foi, portanto, o único motivo para a saída, mas passou a ser considerada um ponto de atenção pela diretoria. A avaliação era de que o desgaste poderia dificultar ainda mais a missão de recuperar o time para a última rodada.
O resultado em João Pessoa acabou sendo determinante. O Guarani abriu o placar com João Paulo, mas sofreu três gols no segundo tempo e perdeu por 3 a 1. Foi a quinta partida consecutiva em que o Bugre saiu na frente, e a quarta neste período que não conseguiu sustentar a vantagem.
A atuação também aumentou a avaliação interna de que as escolhas de Elio para o jogo não surtiram o efeito esperado. O treinador, inclusive, reconheceu depois da partida a necessidade de corrigir aspectos emocionais para o confronto com o Brusque.
A derrota, somada à pressão que já havia aumentado depois do empate com o Ypiranga-RS, fez a diretoria entender que era necessário mudar o ambiente antes da rodada decisiva.
A mudança no comando acontece em um momento de dificuldades financeiras para o Guarani.
O clube ainda convive com atrasos nos pagamentos ao elenco e à comissão técnica. Mais um prazo referente aos direitos de imagem venceu no dia 20, e o Conselho de Administração trabalha para conseguir recursos e reduzir as pendências.
O cenário financeiro também fazia parte do ambiente enfrentado por Elio. A dificuldade para manter os jogadores motivados e concentrados em meio aos atrasos era considerada mais um obstáculo durante a sequência de resultados ruins.
A prioridade da diretoria agora é tentar regularizar ao menos parte dos valores pendentes e, ao mesmo tempo, definir o substituto de Elio.
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A tendência inicial é de que Marcelo Marelli, auxiliar fixo do Guarani desde março, comande a equipe de forma interina contra o Brusque. A diretoria, porém, já começou a avaliar nomes no mercado para assumir o time ainda nesta semana.
Entre as alternativas consideradas estão profissionais que já conhecem o clube, como Umberto Louzer e Alberto Valentim. A ideia é encontrar rapidamente um treinador capaz de criar uma nova atmosfera no vestiário para a decisão de sábado.
Caso não haja acordo em tempo hábil, Marcelo Marelli tem a aprovação do elenco para assumir a equipe. Outra possibilidade seria a participação de Jairo Blumer, técnico do sub-20, em uma comissão interina.
O Guarani chega à última rodada com 27 pontos e ainda depende apenas de si para avançar ao quadrangular final. Uma vitória sobre o Brusque, no sábado, às 17h, no Brinco de Ouro, garante a classificação.
O desafio agora é conseguir, em poucos dias, transformar a troca no comando em uma reação dentro de campo.
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Fontes
Informação baseada em material público de ge.globo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.