Ir para o conteúdo
Esportes

Antes de possível restrição, bets reduziram presença na Série A e concentraram patrocínios

Santos e Vasco trocaram parceiros e passaram a receber menos, enquanto Corinthians e Flamengo ampliaram receitas

4 min de leitura
Esportes — imagem padrão

As empresas de apostas esportivas reduziram sua presença no espaço master das camisas dos times da Série A do Campeonato Brasileiro entre 2025 e 2026 e concentraram investimentos em menos clubes, em movimento que estava em curso antes da discussão do governo federal sobre novas restrições ao setor.

No ano passado, 18 das 20 equipes tinham uma bet como patrocinadora no espaço nobre do uniforme. Na atual temporada, são 13. Além disso, Santos e Vasco trocaram seus parceiros e, posteriormente, fecharam novos vínculos com empresas do setor, porém com valores inferiores aos antigos contratos.

O movimento ajuda a colocar em perspectiva o alerta feito nesta quinta-feira (17) por clubes do Rio e São Paulo e também pela Abert (Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão).

O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado", diz trecho do manifesto dos clubes.

O texto, compartilhado também pela FPF (Federação Paulista de Futebol) acrescenta que as entidades reconhecem a necessidade de colaborar para combater o vício nas apostas e o endividamento das famílias.

O futebol se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional, das Autoridades Estaduais e Municipais para colaborar em mecanismos mais eficientes de educação e conscientização.

O argumento das entidades parte da dependência financeira. As bets passaram a ocupar espaço central no mercado de patrocínio esportivo e ajudaram a elevar o valor pagos aos times.

Mas a própria mudança vista ao longo de 2026 mostra que esse dinheiro já não está distribuído da mesma maneira entre as 20 equipes. A saída de patrocinadores de Bahia, Internacional, Grêmio e Coritiba reduziu a presença das bets no espaço master dos uniformes, enquanto contratos de clubes de maior exposição continuaram em patamares elevados.

É um indício de que os investimentos vão ficar concentrados em menos empresas. Na prática, o que aconteceu é que teve um investimento inicial grande de várias empresas, mas é um mercado que está se provando e passa por um processo de amadurecimento, e é natural essa diminuição", disse Pietro Cardia Lorenzoni, diretor jurídico da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias).

O caso do Santos é outro exemplo da mudança de perfil. A saída da 7K não significou o abandono do setor. O clube trocou uma empresa por outra. O novo contrato com a Novibet passou a ter repasse fixo inferior ao anterior, em uma redução de cerca de 30%.

No Grêmio e no Internacional, a ruptura teve outra origem. Os dois clubes encerraram o acordo com a Alfa Bet depois de atrasos nos pagamentos. A empresa posteriormente acumulou cobranças judiciais.

O cenário atual é, portanto, diferente daquele de 2025. As bets continuam entre os principais anunciantes do futebol brasileiro, mas já não ocupam o mesmo espaço em toda a Série A.

A indústria reduziu o número de empresas dispostas a investir, concentrou recursos em marcas maiores e manteve contratos elevados nos clubes de maior exposição.

Os casos indicam que a retração não pode ser explicada apenas pela decisão de clubes ou do governo. A própria indústria passa por um processo de consolidação. A regulação elevou custos, a concorrência aumentou e algumas empresas menores passaram a ser incorporadas por grupos maiores.

É nesse cenário que surge a discussão política desta semana.

O governo federal passou a discutir possíveis restrições às apostas diante da preocupação com o impacto da atividade sobre o orçamento das famílias. Houve reuniões entre integrantes do governo sobre o tema, mas nenhuma decisão foi tomada e não há prazo definido para uma medida.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que as discussões se concentram nos efeitos das apostas sobre os gastos das famílias.

Entendo que as medidas em discussão pelo governo não são o caminho mais eficiente para tratar a questão. Além de reduzir a capacidade de monitoramento do poder público, essas medidas, se adotadas, estimulariam a migração dos consumidores para plataformas não autorizadas, que operam fora das regras brasileiras e sem os mecanismos de proteção exigidos pela regulamentação", afirmou Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming Brasil, que controla a marca 7k Bet, patrocinadora do Vitória.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Esportes