Ter sido aos 47 anos o melhor brasileiro na maratona de Berlim há poucos dias talvez fale mais dos problemas do atletismo nacional do que da competência do fundista Paulo de Paula, que já defendeu o Brasil em três Olimpíadas.
Em Berlim, numa idade avançada para o alto rendimento, sem apoio oficial ou patrocínio de marcas esportivas, ele foi não apenas o melhor brasileiro como sul-americano, ainda que mais de 2 minutos acima de seu recorde para a distância, o 2:09:51 de Sevilha, de 2022.
Este xará colunista do atleta também cravou recentemente uma marca bastante digna para quem já está a colocar os quatro pés nos 60 anos. Fui o primeiro da categoria numa das tantas night runs de São Paulo, o que não deve dizer muito considerando-se o número de competidores.
Mas o pace de 4min44seg e o fato de talvez ser mais rápido há duas semanas do que há 15 ou 20 anos ilustra bem o tema desta coluna: a longevidade, suas benesses e seus problemas.
Como é de conhecimento geral, estamos a viver mais no Brasil. No Censo 2022, os 60+ já compunham contingente maior que a população de 15 a 24 anos. A projeção é que o grupo seja o mais numeroso entre todos no país já em 20 anos.
A expectativa de vida sobe: de 71,1 anos em 2000 para 76,4 anos em 2023; em 2070, não devo estar lá para confirmar, baterá nos 83,9 anos.
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