Ir para o conteúdo

Quarta-feira, 23 de setembro de 2026 | Corumbá - MS | 26°C Céu limpo

Entretenimento

Seu Jorge e Trio Mocotó ajudam Paulo Ricardo a encarar Marvin Gaye em 'Sangue bom', versão de 'What's going

Com uma música, Gaye traduziu todo o estado de ansiedade, fervura e inquietação de um país.

3 min de leitura
Seu Jorge e Trio Mocotó ajudam Paulo Ricardo a encarar Marvin Gaye em 'Sangue bom', versão de 'What's going

Antes mesmo do álbum, a música-título “What’s going on” fez barulho ao ser apresentada em 10 de janeiro de 1971 em single que antecedeu o LP. Parceria de Gaye com Al Cleveland (1930 – 1996) e Renaldo Obie Benson (1936 – 2005), a música “What’s going on” se tornou um hino contra a Guerra do Vietnã e contra o preconceito racial em ebulição nos EUA.

Com uma música, Gaye traduziu todo o estado de ansiedade, fervura e inquietação de um país.

É essa música, repleta de consciência social, que ressurge 55 anos após o lançamento na voz de Paulo Ricardo em versão em português intitulada “Sangue bom” e lançada em single hoje, quarta-feira, 23 de setembro, dia em que o cantor, compositor e músico carioca faz 64 anos.

Avalizada e autorizada pelos herdeiros de Marvin Gaye, a letra em português de Paulo Ricardo aborda a violência contra mulheres e crianças, em tempos de intolerância e radicalismo, e consegue captar um pouco do sentimento dos versos originais de “What’s going on”, sem ser uma tradução.

Embora seja cantor identificado com o universo do pop rock no imaginário nacional por ter sido projetado como vocalista da banda RPM nos anos 1980, sem ter tradição no canto do soul, Paulo Ricardo se cercou de artistas que transitam pelo universo do soul à moda brasileira.

A simples presença de Seu Jorge – cuja voz aveludada carrega toda uma ancestralidade afro-brasileira – contribui para conferir certa legitimidade ao single editado por Paulo Ricardo com capa que expõe obra criada por Speto, artista visual ligado ao grafite e à cultura urbana.

Seu Jorge é grande cantor associado ao samba-rock, gênero formatado pelo Trio Mocotó na virada dos anos 1960 para a década de 1970. Dois ritmistas do Trio Mocotó, João Parahyba (timbales) e Nereu Gargalo (pandeiro), foram arregimentados para a gravação de “Sangue bom”, feita com produção musical do guitarrista Waldo Denuzzo.

Com sopros proeminentes, a sonoridade do single “Sangue bom” é calorosa, mas o groove da gravação poderia ter ficado mais evidenciado na mixagem, já que a intenção foi trazer o standard de Marvin Gaye para o universo rítmico brasileiro.

De toda forma, “Sangue bom” sobressai entre os recentes lançamentos fonográficos de Paulo Ricardo com apuro perceptível já na capa do single. Seu Jorge e os músicos do Trio Mocotó ajudaram o cantor a encarar o hino de Marvin Gaye em gravação bem produzida que consegue escapar por um triz do risco da diluição.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Entretenimento
Ana Victoria Almeida lança romance de estreia em São Paulo
Musica

Ana Victoria Almeida lança romance de estreia em São Paulo

Após apresentar sua primeira obra de romance ao público carioca, a escritora Ana Victoria Almeida leva Me abrace antes da queda a São Paulo. O encontro está marcado para amanhã, 23, na Livraria Martins Fontes da Av.

Em Musica