Rashid encerra o papo falando sobre a importância de refletir sobre o posicionamento político: "Tentem entender por que os ídolos de vocês têm esse pensamento. Votem com consciência.
Para esse momento de eleição, recomendo a faixa 4 do meu novo disco, 'O Que Dizem os Números.
Rashid afirma que o rap e o hip hop nasceram dentro de uma tradição política ligada à esquerda e às lutas dos trabalhadores e das populações marginalizadas.
Rashid fala sobre o posicionamento político de artistas do rap: "Se você é preto, pardo, de quebrada, mulher, LGBT, de religião de matriz africana, você já está posicionado.
O rap já estava posicionado antes de você chegar. É um raciocínio que eu tenho tido: sendo muito bondoso, eu até consigo aceitar a pessoa discordar do Rashid. Mas discordar do Emicida, Mano Brown, Dexter, Chico Buarque, Caetano Veloso, Lenine.
Rashid relembra um conselho que recebeu de Emicida sobre o processo de pesquisa por trás das músicas: "A gente nunca coloca na conta da caneta o processo entre o estudo e a ideia.
Isso é pesquisa. Em ambientes acadêmicos, a pesquisa é colocada na conta. Na música, não. A gente não ganha nada, não recebe nada. Faz por amizade ou está oferecendo sua imagem para aquela pessoa.
Compreendo as pessoas que cobram, não é da minha política fazer isso. Não cheguei nesse momento.
Rashid fala sobre o cuidado com as participações que faz: "Os feats que a gente faz exigem um esforço, porque existe um padrão Rashid. Preciso manter o padrão ali naquela caneta.
Rashid relembra a confusão durante um show dos Racionais MC's na Virada Cultural de 2007: "Projota e eu estávamos juntos. O Emicida estava mais para a frente. Começou aquela confusão.
Não era simples mandar mensagem. Só vi o 'choque' vindo. Parecia cena de 'Cidade de Deus.
Rashid fala sobre a importância de continuar se apresentando para conquistar novos públicos: "Vamos para a rua. Está cheio de gente na rua que acha que a gente não está lançando, que não sabe quem sou eu.
Existe artista tão grande que não precise se apresentar para alguém em algum momento? 'Rashid, ouve lá, o bagulho é louco.
Rashid conta que conquistou os primeiros simpatizantes nas batalhas de rima, que, com o tempo, se tornaram fãs.
Rashid relembra o começo da carreira, quando divulgava suas músicas pelo MySpace, e fala sobre a disputa pela atenção do público: "Você tem a possibilidade de chegar até o lugar de colocar sua música na mesa.
A questão é como você vai fazer a pessoa escolher sua música na mesa.
Rashid fala sobre o papel das batalhas de rima na formação de artistas e do público: "A batalha está preocupada em formar artistas e o público. Ela fortalece o próprio negócio, o próprio movimento.
Ajuda na formação do MC e, quando o MC cita alguma coisa, o público capta porque entendeu o que ele queria dizer. É o ciclo do conhecimento dentro da cultura.
Rashid fala sobre a evolução das batalhas de rima: "Cresceu tanto que chegou nesse lugar do entretenimento. Na batalha, tem gente que não necessariamente escuta rap, mas gosta da batalha.
São pessoas que escutam outros gêneros musicais.
Rashid conta que dividiu a adolescência entre São Paulo e Minas Gerais: "A periferia de São Paulo é completamente urbana, cinza, falta de dinheiro. No interior de Minas Gerais, era roça, amigos na plantação de cana e alambique.
Rashid fala sobre Milton Nascimento, uma de suas grandes referências: "Minha avó materna conheceu ele. Quando eu soube, meu amor virou fanatismo. Não mexe com meu Milton Nascimento.
Rashid conta que chegou a pensar em recusar o convite para o Lollapalooza de 2023, com medo de uma terceira interrupção: "Eu estava pronto para negar o convite.
Não quero aceitar esse convite, e meu medo era acontecer uma terceira vez. Não quero fazer, não quero aceitar. E uma pessoa de religião africana disse: 'Você tem que fazer, tem que aceitar.
Sem conseguir concluir a apresentação, Rashid foi anunciado novamente no Lollapalooza de 2020, mas o festival acabou cancelado por causa da pandemia. O convite ficou para 2022, quando o show foi novamente interrompido, novamente por mau tempo: "Balde de água fria dobrado.
Rashid relembra o show cancelado no Lollapalooza, em 2019, após duas músicas, por causa do mau tempo: "Foi um momento difícil de saúde da minha esposa. Eu precisava muito daquele show.
Rashid fala sobre Liniker, com quem tem a música "Ver em Cores": "É uma das grandes representantes da música preta no Brasil.
Rashid fala sobre seu papel como artista e diz: "Eu sou intermediário entre o público e a cultura. Eu preciso transmitir isso para as pessoas.
Sobre a participação de Luedji Luna no álbum, Rashid comenta: "Talvez seja a que está mais de fora, mas ela está totalmente mergulhada na cultura hip hop. Toda a música e as referências dela.
Rashid fala sobre as participações no novo álbum, que tem feats com nomes como Emicida e Projota: "São amigos, pessoas que carregam a bandeira da cultura hip hop.
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