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Marcos Sacramento 'bebe da chama' do samba em show que transpõe a roda do cantor para o palco com certa

Data e local: 18 de setembro de 2026.

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Marcos Sacramento 'bebe da chama' do samba em show que transpõe a roda do cantor para o palco com certa

Título: Sambear – Samba do Sacramento.

Data e local: 18 de setembro de 2026.

Por mais que o roteiro encampe uma ou outra música rara na roda, como “Jesus é preto” (Marcos Sacramento e Paulo Baiano), samba autoral composto nos anos 1980 e gravado décadas depois pelo cantor no luminoso álbum “Arco” (2024), o show “Sambear” preserva o espírito de união e congraçamento da roda, além do repertório que celebra o samba nas várias formas do gênero.

Tão musical quanto política, tal manifestação ficou evidente no roteiro desde a primeira música entoada pelo artista no show, “Canto das três raças” (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976) – samba que ecoou há 50 anos na voz da cantora Clara Nunes (1942 – 1983) – até a última antes do bis, “A batucada dos nossos tantãs” (Sereno, Adilson Gavião e Robson Guimarães, 1993), samba com o qual o grupo Fundo de Quintal fez declaração de resistência de um povo que não perde o prazer de cantar, mesmo quanto tentam silenciá-lo.

Sim, foi bonito de se ver Sacramento correndo pelo palco do Circo Voador, dando voz a um punhado de sambas cantados pelo artista sob a batuta de uma banda com o peso de uma orquestra.

Essa banda incluía virtuoses como o violonista Luiz Flavio Alcofra, o multi-instrumentista Elísio Freitas – cujo solo de guitarra sublinhou o sentimento posto pelo artista “Você me vira a cabeça (Me tira do sério)” (Chico Roque e Paulo Sérgio Valle, 2001), número teatral já recorrente na roda de Sacramento – e o cavaquinhista Lucas Machado, que conquistou a plateia com os improvisos de partideiro feitos no samba “Alguém me avisou” (Dona Ivone Lara, 1980).

Poucas vezes o Circo Voador esteve tão vazio (até pela concorrência de shows gratuitos realizados na mesma noite no bairro da Lapa) como na estreia de “Sambear”, mas Sacramento não se intimidou e apresentou show quente.

O calor vinha tanto do canto do solista quanto dos caprichados arranjos tocados pela banda que abarcava cordas, sopros e percussões.

A seleção de repertório, às vezes óbvia, contribuiu para facilitar a absorção do show por uma plateia animada, mas não exatamente vibrante. Em números como “Sem compromisso” (Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro, 1944) e “Samba do grande amor” (Chico Buarque, 1983), pareceu que a vibração era maior no palco do que na pista do Circo Voador.

Ainda assim, ninguém ficou imune à exuberância e à teatralidade do canto de “Disseram que eu voltei americanizada”(Luiz Peixoto e Vicente Paiva, 1940), samba recorrente na roda de Sacramento e no qual o intérprete destila finas ironias e mostra impressionante senso rítmico.

Entre exaltações aos pioneiros bambas do bairro carioca do Estácio – reverenciados com as lembranças dos sambas “Se você jurar” (Ismael Silva e Nilton Bastos, 1931) e “Nem é bom falar” (Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves, 1931) – e à cantora Clementina de Jesus (1901 – 1987), saudada com “Yaô” (Pixinguinha e Gastão Vianna, 1938) e “Benguelê” (Pixinguinha e Gastão Viana, 1946), Marcos Sacramento puxa no roteiro de “Sambear” uma linha que vai até as contemporâneas Manu da Cuíca e Marina Iris, parceiras no samba “Virada” (2021).

Esse fio imaginário passou por Ivone Lara (1922 – 2018) e pela ideologia de Jorge Aragão, presente no roteiro com “Identidade” (Jorge Aragão, 1992), manifesto de orgulho negro.

Enfim, ao sair do palco do Circo Voador após o bis, no qual cantou “Vou festejar” (Jorge Aragão, Dida e Neoci Dias, 1978), Marcos Sacramento deixou boa impressão, mas também a sensação de que o show “Sambear” precisa se desprender mais da roda “Samba do Sacramento” para ganhar vida própria.

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