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'Hope - O primeiro impacto': Filme mais caro da Coreia do Sul dividiu o público — sua estrela se orgulha

6 min de leitura
'Hope - O primeiro impacto': Filme mais caro da Coreia do Sul dividiu o público — sua estrela se orgulha

Filme mais caro da história da Coreia do Sul, "Hope - O primeiro impacto" divide opiniões de público e de críticos desde sua exibição na competição pela Palma de Ouro do Festival de Cannes, em maio.

  • g1 já viu: 'Hope - O primeiro impacto' abre mão de melhor abertura do ano por ficção científica batida.

Mesmo com um orçamento considerado enorme para a Coreia, e todas as pressões práticas da realidade, ter um diretor que se mantém fiel à sua visão é precioso demais.

Por isso, ver o público se dividir entre quem ama e odeia é a coisa mais natural do mundo. Quebrar expectativas é fascinante", diz a atriz de 32 anos em entrevista ao g1.

Sendo sincera, quantos diretores no mundo conseguiriam fazer um filme tão louco — no bom sentido — como este? Acho que poucos.

Assista ao trailer de 'Hope - O primeiro impacto.

Em "Hope", a modelo interpreta uma policial em perseguição atrás de uma criatura misteriosa, que tem deixado um rastro de destruição e morte em um pequeno vilarejo de pescadores.

Em seu primeiro trabalho mais relevante desde que se tornou a grande revelação da primeira temporada do fenômeno mundial "Round 6", Hoyeon reverencia Na Hong-jin, que assina a direção e o roteiro do filme.

O último filme do cineasta de 52 anos, "O lamento" (2016), é considerado por muitos um dos melhores terrores do século — e tem até hoje uma aprovação de 99% dos críticos do site agregador Rotten Tomatoes.

O que me fez achar o diretor Na um gênio foi algo que li em uma crítica: 'O lamento' pega uma história simples e a desenvolve de forma complexa. 'Hope' pega uma história complexa e a desenvolve de forma simples", afirma a atriz.

Quem assistiu a 'O lamento' e esperava o próximo filme dele jamais imaginaria uma comédia. Achei essa escolha genial. O filme desafia as expectativas da plateia o tempo todo: quando você acha que vai acontecer tal coisa, ele vai para outro lado e joga piadas.

Leia abaixo a entrevista na íntegra, editada para clareza (com tradução de Julie Kim).

g1 - Oi, Hoyeon, como você está hoje.

Hoyeon - Bem. Hoje é meu dia de folga. Estive trabalhando, filmando uma série, e tem sido muito bom. Hoje é um dia relaxante, com exceção desta entrevista. Acho que vou comer um kimchi-jjigae depois daqui.

g1 - Parece uma boa ideia. Kimchi-jjigae é ótimo e aqui está bem na hora da janta. Parabéns pelo filme. Demora bastante tempo até a sua primeira cena neste filme, mas ela é muito marcante.

O quanto você conversou com o diretor Na sobre o que aconteceu com a sua personagem até aquele momento.

Hoyeon - Assim como o Bum-seok (Hwang Jung-min) e o Sung-ki (Zo In-sung), depois da transmissão no rádio, pela própria personalidade extrema da Sung-ae, ela pegou todas as armas que estavam no depósito da delegacia e saiu com tudo.

Ela realmente juntou todas as armas que pôde, levou com ela e já estava andando por aí para ajudar as pessoas do vilarejo. Foi sobre isso que conversei com o diretor.

Se você reparar bem, a caracterização dos machucados da Sung-ae mostra que ela já vinha rolando no chão e passando por perrengues. Para mostrar isso, entendi e atuei pensando que não era como se ela estivesse encarando aquela situação pela primeira vez — embora, para o público, seja a primeira vez que a veem.

g1 - O cinema coreano das últimas décadas ficou muito conhecido por lidar com temas sociais e luta de classes. Este filme é mais voltado para a ação e lida com essa criatura que, durante a primeira metade, a gente nem consegue ver direito.

O que faz deste filme uma história universal? Ter que enfrentar uma ameaça desconhecida torna a história universal.

Hoyeon - Filmes como "Parasita" (2019) ou o novo do diretor Lee Chang-dong, "Amor possível", tratam de classes de um jeito bem coreano, mas acho que também dá para dizer que são histórias universais.

No caso de "Hope", pegamos uma história muito universal e fizemos um filme de ação comercial, de entretenimento. Mas acho que todas as histórias, quando olhamos de perto, parecem casos muito individuais, só que no fim das contas a história daquela pessoa não é tão diferente da minha, nem da de alguém que vive em outro país.

Os seres humanos, por mais diferentes que pareçam — será que o modo de vida deles é tão diferente assim? Fico sempre pensando nisso.

g1 - O que faz do diretor Na um cineasta tão único.

Hoyeon - A forma como ele enxerga o mundo é muito especial. Conversando com o diretor, penso muito: "Nossa, dá para olhar por esse ângulo também". Ele pensa na situação e nas consequências que ela vai trazer, mas também capta a intenção das pessoas com muita precisão.

Ele percebe as coisas rápido demais: a intenção de alguém, a situação em si e o resultado daquilo. Aprendi muito durante as filmagens. O olhar dele sobre o mundo é muito rápido e, às vezes, me pego pensando: "Ele repara até nesse tipo de detalhe, até nessa intenção.

Coisas que uma pessoa comum nem pensaria.

É justamente por enxergar tudo dessa maneira que ele consegue escrever roteiros assim e ter uma imaginação tão única.

g1 - Este é um filme muito ambicioso. A primeira hora é uma sequência de ação tão maluca e tão boa que escrevi que é a melhor primeira hora do ano todo no cinema, com folga.

Mas ele também dividiu opiniões. Vocês já esperavam reações tão intensas, desde o Festival de Cannes até na Coreia? Há muito o que processar, já que o filme tem partes muito diferentes entre si.

Hoyeon - Desde a fase do roteiro até ver o resultado final, achei um filme absurdamente engraçado, o melhor entretenimento possível. Adorei todo o humor.

Ao ler o roteiro, o que me fez achar o diretor um gênio foi algo que li em uma crítica.

O lamento" pega uma história simples e a desenvolve de forma complexa; "Hope" pega uma história complexa e a desenvolve de forma simples. Concordei muito com isso.

Se ele tentasse repetir a fórmula de "O lamento", será que sairia algo superior? Acho difícil, nunca saberemos. Mas, mantendo a identidade dele, ele transformou isso em algo cômico.

Por isso, ver o público se dividir entre quem ama e odeia é a coisa mais natural do mundo. Quebrar expectativas é fascinante. Diretores como ele precisam continuar existindo e fazendo os filmes que querem, do jeito deles, seja qual for o gênero.

Trabalhar com ele e vivenciar "Hope" foi uma experiência empolgante e eletrizante para mim como cinéfila, não importa o que digam.

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