Destaque nos Festivais de Cinema de Berlim e Gramado, Feito Pipa foi escolhido como o representante do Brasil para o Oscar de 2027. Estrelado por Yuri Gomes, Lázaro Ramos e Teca Pereira, o filme aborda as relações familiares sob o olhar de um jovem que atravessa as transformações da infância, entre laços afetivos, luto e a temática LGBTQIA.
Para os especialistas, o cenário mais provável neste momento é que o filme chegue à pré-seleção de 15 produções da categoria de Melhor Filme Internacional, conhecida como shortlist.
Para avançar à lista final de cinco indicados, o longa precisa acelerar a campanha internacional, fechar uma distribuição nos Estados Unidos, conquistar apoio de nomes influentes da indústria e enfrentar a concorrência de produções que ganharam destaque nos festivais de Cannes e Veneza.
O filme Narra a história de Gugu (Yuri Gomes), um menino apaixonado por futebol e dança que vive com a avó Dilma (Teca Pereira) no sertão cearense.
A produção foi o Longa-metragem mais premiado da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado.
Criado de maneira livre e afetuosa, ele se vê diante de um grande desafio quando precisa lidar com a possibilidade de deixar a vida ao lado da avó para morar com o pai, Batista (Lázaro Ramos).
Feito Pipa foi escolhido pela Academia de Cinema Brasileira como representante para o Oscar 2027.
Imagem do filme Feito Pipa, estrelado Lázaro Ramos, Yuri Gomes e Teca Pereira.
Quais são os pontos fortes de Feito Pipa.
Para a crítica de cinema Isabella Faria, um dos pontos fortes de Feito Pipa é o apelo emocional e a possibilidade dada pela história de atravessar fronteiras sem depender de contexto histórico ou político prévio.
Como tem o foco na infância, nas relações familiares e as temáticas LGBTQIA+, o longa constrói uma narrativa de amadurecimento que ressoa em qualquer cultura.
Entretenimento “O principal ponto forte é que se trata de uma história muito universal. Pessoas de fora do Brasil conseguem se relacionar com a dinâmica do garoto com a avó, o amadurecimento, o ambiente familiar, o luto e a pauta LGBTQIA.
O filme traz uma ambientação muito específica em Quixadá, partindo de memórias do diretor, mas é universal ao mesmo tempo em que é culturalmente brasileiro”, destaca.
Já Pedro Butcher, professor do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM, destaca o carisma do elenco e avalia que o filme pode se beneficiar do momento favorável do cinema brasileiro no exterior, impulsionado por Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto.
Por outro lado, os especialistas alertam para dois desafios importantes no caminho de Feito Pipa: a estreia no Festival de Berlim e a ausência de uma distribuidora americana.
Enquanto festivais como Cannes e Veneza ocorrem no segundo semestre, logo, mais perto da votação do Oscar, a estreia de Feito Pipa em Berlim, ocorrida em fevereiro, exige um esforço extra para manter o título vivo na memória dos votantes.
Além do desafio do calendário, a falta de um parceiro comercial no mercado norte-americano é apontada como a principal urgência do longa. Como a shortlist do Oscar normalmente é divulgada em meados de dezembro, a equipe do filme teria três meses para fazer o filme circular e ser reconhecido nos EUA.
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