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Empreendedorismo

Sem roupa adequada para trabalhar grávida, empresária cria negócio que fatura R$ 600 mil por ano

Negócio criado em São Bernardo do Campo desenvolve roupas corporativas com recursos como braile, velcro e modelagens adaptadas para ampliar a autonomia dos trab

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Sem roupa adequada para trabalhar grávida, empresária cria negócio que fatura R$ 600 mil por ano

Quando engravidou da primeira filha, a administradora Mônica Mota percebeu um problema que até então passava despercebido.

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Acostumada à rotina corporativa em uma multinacional, ela não encontrava roupas adequadas para continuar trabalhando com o mesmo padrão de vestimenta exigido pelo cargo.

As opções disponíveis para gestantes eram limitadas e distantes do ambiente executivo.

A solução veio da própria necessidade. Ela desenhou uma camisa social adaptada para gestantes e, sem imaginar, deu o primeiro passo para criar um negócio especializado em uniformes inclusivos.

Quando a mulher engravida, o mercado de trabalho exclui", afirma a empreendedora. Foi dessa percepção que nasceu a primeira camisa social para gestantes criada por ela.

O produto despertou o interesse de outras mulheres e começou a gerar encomendas.

Inicialmente focada no consumidor final, a empresa precisou se reinventar durante a pandemia. Foi nesse período que Mônica recebeu o convite de uma multinacional do agronegócio para falar sobre vestuário para gestantes no ambiente de trabalho.

A apresentação acabou abrindo uma nova oportunidade de mercado. A companhia buscava ampliar a participação feminina em suas fábricas e precisava oferecer uniformes adequados para funcionárias grávidas.

O desafio foi maior do que ela imaginava. Além de conforto, os uniformes corporativos precisam cumprir normas técnicas e, muitas vezes, fazem parte dos equipamentos de proteção individual (EPIs).

A partir daí, o negócio ampliou seu escopo e passou a desenvolver soluções para diferentes necessidades.

Entre elas estão peças com fechamento em velcro para pessoas com mobilidade reduzida nas mãos, modelagens adaptadas, aberturas específicas para dispositivos médicos e identificação em braile.

Eu não gosto de chamar de roupa adaptada. Prefiro falar em funcionalidades. É um uniforme que todos podem usar, mas que oferece recursos extras para quem precisa", diz a empresária.

A empresa trabalha sem estoque. Cada peça é confeccionada conforme a necessidade do cliente, permitindo personalizações que dificilmente seriam encontradas em produtos padronizados.

Entre os itens desenvolvidos está uma calça com ajustes que dispensam o uso de cinto, fechamento em velcro e compartimento para acomodar bolsa coletora de urina utilizada por pessoas que fazem uso de sonda.

Outro diferencial é a inclusão de informações em braile nas roupas. Para criar a técnica de estamparia em relevo, a especialista Grace Silva Santos Mori passou cerca de quatro meses estudando o sistema de escrita tátil e testando aplicações em tecido.

Segundo ela, a solução aumenta a autonomia de pessoas com deficiência visual. "Com a identificação em braile, elas conseguem reconhecer a própria roupa sem depender de terceiros", afirma.

Inteligência artificial entrou no processo de vendas.

Além da costura e da modelagem, a tecnologia passou a ocupar espaço importante na operação da empresa. Mônica utiliza inteligência artificial para organizar informações, criar apresentações comerciais e ajudar clientes a visualizar adaptações antes mesmo da produção das peças.

Segundo ela, imagens enviadas pelos clientes podem ser transformadas rapidamente em propostas e simulações, tornando o processo comercial mais ágil.

É difícil explicar apenas no papel como vai funcionar um velcro, uma abertura para sonda ou uma identificação em braile. Com a IA, o cliente consegue visualizar e tomar a decisão muito mais rápido", afirma.

Para Mônica, o principal resultado do trabalho vai além do faturamento. O objetivo é ajudar empresas a construírem ambientes mais inclusivos, começando por um detalhe frequentemente ignorado: o uniforme.

Eu gostaria de deixar um legado: a pessoa não precisa mudar o próprio corpo para trabalhar ali. Estamos falando de dignidade e pertencimento", diz.

A empresária resume a proposta da marca em uma frase que se tornou um dos pilares do negócio: "A maioria das empresas produz uniformes para as pessoas. Nós produzimos com as pessoas.

Em números

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