Bonecas, carrinhos, bichos de pelúcia e até videogames ganham uma segunda chance em um negócio familiar que atravessa gerações em São Paulo.
A empresa tem três unidades — nos bairros da Penha e do Brooklin, na capital paulista, e em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo — e conta com 35 funcionários.
Apesar dos diferentes pontos de atendimento, os reparos e as restaurações são concentrados na matriz, na Penha.
Atualmente, quem está à frente do negócio é Leandro Capelo Filho, representante da quarta geração da família. Mas a história começou bem antes de a empresa ganhar a aparência de um hospital.
A primeira versão do negócio era uma pequena oficina que fazia diferentes tipos de reparos. Com o tempo, os brinquedos ganharam espaço e a empresa passou a se especializar nesse mercado.
Foi o pai de Leandro quem decidiu levar a proposta um passo adiante: funcionários passaram a usar roupas de médicos e enfermeiros, e o conserto ganhou uma experiência inspirada na rotina de um hospital.
A ideia era aproximar principalmente as crianças do processo e tornar menos traumático o momento de deixar um brinquedo querido para ser reparado. Hoje, a experiência inclui até uma espécie de triagem dos "pacientes.
A menina Júlia Carvalho, de 11 anos, levou a boneca Rafaela para ser restaurada e participou do atendimento como se estivesse acompanhando uma internação. Depois do conserto, a boneca recebeu "alta" para voltar para casa.
Um dos desafios do negócio é justamente a variedade dos produtos que chegam para conserto. A empresa recebe desde bonecas e bichos de pelúcia até carrinhos de controle remoto, brinquedos motorizados, videogames e joysticks.
Além disso, os profissionais precisam lidar tanto com lançamentos quanto com peças que podem ter cerca de 100 anos. Por isso, a empresa mantém equipes especializadas em diferentes tipos de reparo.
O perfil dos clientes também é variado. De um lado estão pais e mães que procuram o serviço para recuperar o brinquedo preferido dos filhos. Do outro, adultos interessados em restaurar objetos da própria infância ou itens que pertenceram a familiares.
Segundo Leandro, nem todos são colecionadores. Muitos procuram a empresa justamente pelo valor afetivo do objeto e pela possibilidade de recuperar uma lembrança.
Na avaliação entram fatores como as peças necessárias, o tipo de procedimento, o tempo de execução e a mão de obra envolvida. Algumas restaurações também exigem trabalho artístico, o que aumenta a complexidade do serviço.
Quarta geração aposta em profissionalização e digitalização.
Para assumir a empresa da família, Leandro buscou formação voltada à gestão. Ele cursou engenharia de produção, com foco nos processos e na operação do negócio, e depois fez uma pós-graduação em gestão de pequenas e médias empresas.
A chegada da nova geração também trouxe mudanças na operação. Leandro afirma que buscou preservar a experiência criada pelo pai, mas acrescentou processos mais digitais a um negócio que antes funcionava de maneira essencialmente analógica.
Uma das iniciativas foi oferecer a retirada de brinquedos na casa dos clientes. A estratégia ajuda a modernizar uma empresa que aposta justamente na memória como um de seus principais ativos.
Para a família, é o valor sentimental dos brinquedos que ajuda a explicar a longevidade do negócio.
Há clientes, por exemplo, que recuperam objetos guardados durante décadas para entregá-los aos próprios filhos — fazendo com que os brinquedos também atravessem gerações.
Para Leandro, é justamente esse vínculo que faz o trabalho ir além do reparo. “Você vê tanta história legal que um brinquedo carrega”, afirma o empreendedor.
Hospital das Bonecas, Brinquedos e Games.
Em números
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Fontes
Informação baseada em material público de G1 Empreendedorismo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.