Na pré-campanha, Flávio publicava mais, tinha mais engajamento e era o único a atacar o adversário. Na campanha, em agosto, Lula assumiu a dianteira em volume de publicações e, no segundo turno, passou a falar mais diretamente do rival.
- Na análise dos posts, foram descartadas palavras sem conteúdo, como artigos e preposições.
- O engajamento de um post é calculado somando curtidas e comentários.
- Mediana: o "post típico" é a mediana, valor que divide os posts ao meio e não é distorcido por virais.
- Palavras: as palavras mais típicas de cada perfil foram medidas pela razão de chances logarítmicas entre as frequências nos dois perfis. O aviso legal de propaganda eleitoral, repetido em centenas de legendas, foi removido antes da análise.
- Limitações. Só o texto das legendas foi analisado, não o que é dito nos vídeos. Curtidas, comentários e visualizações continuam crescendo depois da coleta, então os posts de outubro estão subestimados. O segundo turno ainda está em curso, e a amostra dessa fase é pequena. Poucos posts a mais podem mudar a ordem das palavras.
Flávio publica menos, mas seus posts tiveram maior alcance, e a mensagem segue girando em torno de duas palavras: “vote” e “vencer”.
A mudança mais visível está nas legendas do presidente. De janeiro a meados de agosto, quando a campanha começou oficialmente, Lula não citou “Bolsonaro” nem “Flávio” em nenhum post.
No mesmo período, Flávio mencionou “Lula” em 21% das publicações, e “governo Lula” estava entre suas expressões mais frequentes.
No primeiro turno, o nome do adversário passou a aparecer em cerca de 4% dos posts de Lula. No segundo turno, “Bolsonaro” está em 26% das publicações, e “Flávio”, em 20%.
Com isso, as posições se inverteram. Flávio, que citava Lula em um a cada cinco posts na pré-campanha, reduziu a proporção para 18% no primeiro turno e 15% no segundo.
Mas os posts de confronto do senador são diretos e estão entre os que mais rendem.
Em 14 de outubro, o candidato do PL publicou um vídeo dirigido a Lula, em que anuncia que vai participar do debate realizado pela TV Bandeirantes, neste domingo (18), e diz "vou esfregar a verdade na tua cara”.
O vídeo teve 26,2 milhões de reproduções, o mais visto do senador no segundo turno. Um dia antes de postar esse vídeo, Flávio Bolsonaro havia dito que não participaria do debate.
Em nota, a empresa negou ter tomado medidas para interferir nas eleições e afirmou que houve uma falha técnica em 7 de outubro que afetou a plataforma no mundo todo, não apenas no Brasil.
Durante cerca de cinco horas, as contagens de visualizações ficaram congeladas, incorretas ou zeradas, embora o conteúdo continuasse sendo distribuído normalmente.
O incidente afetou criadores em mais de 100 países", informou a empresa.
No primeiro turno, ganharam espaço termos como “oportunidades”, “educação”, “garantir”, “bets” e “pronto”. A proibição das apostas esportivas por medida provisória rendeu um dos posts mais curtidos do presidente na campanha, em 25 de setembro, com 1,6 milhão de interações.
No segundo turno, o tom mudou para fomentar a mobilização de eleitores do petista. “Bora” foi de 2% para 18% dos posts, e “família”, de 10% para 19%. “Povo”, termo mais frequente de Lula depois de “Brasil”, subiu de 30% para 37%.
O fim da escala 6x1, aprovado pelo Senado na quarta-feira (14), virou bandeira: “6x1” aparece em 12% das publicações do segundo turno, contra 4% no primeiro. O post sobre a aprovação da proposta, de 14 de outubro, teve 2,7 milhões de curtidas e comentários e é o segundo de maior engajamento de Lula na campanha.
Perderam espaço palavras como “soberania” e “bets”.
Flávio: Pedido de voto do começo ao fim.
Flávio Bolsonaro já falava como candidato desde a pré-campanha. As palavras mais típicas dele no período eram “Bolsonaro”, “resgatar”, “esquerda”, “master” e “Flávio”.
Na campanha, o discurso se concentrou no voto. “Vote” aparece em 57% dos posts do senador no primeiro turno e em 54% no segundo. “Vencer” está em 49% e 50%, respectivamente.
No primeiro turno, as palavras que mais o distinguiam de Lula foram “libertar”, “vencer”, “turno”, “vote” e “primeiro”.
No fim do primeiro turno, posts que citam o termo "censura" dominaram as publicações de maior alcance do senador, como “a censura não irá vencer!” (1º de outubro) e “censura nunca mais!” (2 de outubro).
No segundo turno, o post com mais engajamento trata do fato de que o programa eleitoral dele foi exibido sem som na televisão (2,3 milhões de interações), o que aconteceu no dia 12 de outubro.
Mudança de discurso acompanha explosão de publicações.
Na pré-campanha, Flávio publicou 804 posts, média de 24,8 por semana, contra 501 de Lula — 15,4 por semana. O senador manteve entre 92 e 130 posts por mês até julho.
Lula só acelerou em julho, quando publicou 101 posts, contra 56 em junho. A partir da semana de 27 de julho, passou a postar mais que o adversário e não perdeu mais a dianteira.
Na campanha, a diferença se ampliou. Lula manteve o ritmo de 10,3 posts por dia nos dois turnos, mais que o triplo de Flávio. O senador caiu de 3,4 para 2,4 posts diários no segundo turno, redução de 30%.
A virada no volume também inverteu o engajamento total. Na pré-campanha, os posts de Flávio somaram 146,1 milhões de curtidas e comentários, contra 58,3 milhões dos de Lula.
Na campanha, Lula soma 182,1 milhões, e Flávio, 81,8 milhões. No segundo turno, o presidente acumula 8,4 milhões de interações por dia, e o senador, 2 milhões.
Post a post, Flávio leva vantagem durante quase todo o ano. Na pré-campanha, a publicação típica do senador (a mediana) rendeu 109 mil curtidas e comentários, mais que o dobro das 51 mil de Lula.
No primeiro turno, foram 167 mil para Flávio e 94 mil para Lula. No segundo turno, o engajamento dos dois disparou e ficou próximo: 680 mil para Lula e 658 mil para Flávio.
Os posts de Lula no segundo turno também provocam muito mais conversa. São 161 comentários para cada mil curtidas, contra 62 na pré-campanha e 63 no primeiro turno.
Para Flávio, a taxa ficou estável: 60 comentários para cada mil curtidas na pré-campanha, depois 65 no primeiro turno e 69 no segundo.
Flávio manteve os 24 posts por semana. Em setembro, Lula publicou quase quatro vezes mais que o senador (357 a 94).
Flávio Bolsonaro sempre priorizou vídeos: foram 90% dos posts na pré-campanha, 94% no primeiro turno e 96% no segundo. Lula começou o ano com uma mistura de formatos, com 47% de vídeos e 40% de carrosséis, muitos com fotos de Ricardo Stuckert (fotógrafo oficial do presidente), citado em 296 legendas na pré-campanha.
Na campanha, a proporção de vídeos do presidente subiu para 64% no primeiro turno e 81% no segundo.
Nas reproduções, o vídeo típico de Flávio teve 1,2 milhão na pré-campanha, 2,1 milhões no primeiro turno e 6,9 milhões no segundo. O de Lula teve 1 milhão, 1,5 milhão e 6,5 milhões.
O vídeo mais reproduzido da campanha é de Lula: “O seu voto decide qual será o caminho do Brasil”, de 10 de outubro, com 39,9 milhões. O de Flávio é o agradecimento “OBRIGADO, BRASIL!”, de 3 de outubro, com 36,8 milhões.
O post com mais curtidas e comentários do ano é o pronunciamento de Flávio após o resultado do primeiro turno, em 4 de outubro, após superar Lula por uma diferença de 2,2 milhões de votos: foram 3,5 milhões de interações.
Na pré-campanha, os recordes foram um vídeo de Flávio com críticas a Lula no carnaval, em 16 de fevereiro (2,3 milhões), e o lançamento do “Rap do Silva” por Lula, em 26 de julho (1,3 milhão).
Em números
- O vídeo teve 26,2 milhões de reproduções, o mais visto do senador no segund
- Sória rendeu um dos posts mais curtidos do presidente na campanha, em 25 de setembro, com 1,6 milhão de interações
- O post sobre a aprovação da proposta, de 14 de outubro, teve 2,7 milhões de curtidas e comentários e é o segundo de maior
- Na pré-campanha, os posts de Flávio somaram 146,1 milhões de curtidas e comentários, contra 58,3 milhões do
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