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Corumbá - MS | Sábado, 31 de outubro de 2026 | 08:17

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MAPA: Como votaram os municípios com maior presença evangélica no Brasil

Cruzamento entre dados do Censo 2022 e o resultado do 2º turno das eleições presidenciais mostra que a religião acompanha o voto no Centro-Oeste e Nordeste, mas

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MAPA: Como votaram os municípios com maior presença evangélica no Brasil

Derrotado por Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro (PL) teve seu melhor desempenho nos municípios onde os evangélicos pesam mais na população.

  • MAPAS: veja como os estados votaram para presidente no 2º turno.

É o que mostra o cruzamento entre os dados de religião do Censo 2022, do IBGE, e a votação de domingo (25), município a município. A totalização do TSE confirmou a reeleição de Lula para um quarto mandato, com 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% do candidato do PL.

Nas cidades, o desempenho do senador variou de 7,6% a 90,5% dos votos válidos. Já a fatia de evangélicos na população ia de 1,2% a 88,7%. Para comparar as duas medidas, cada uma foi dividida em três faixas — baixa, média e alta —, o que resulta em nove combinações possíveis no mapa abaixo.

O retrato dessa associação está no Centro-Oeste. Ali, 42% dos municípios estão no grupo de maior presença evangélica e, ao mesmo tempo, de maior votação no candidato do PL.

A mancha roxa se estende de Mato Grosso a Goiás e avança por Rondônia, Tocantins e o sul do Pará.

A proporção de moradores evangélicos está associada à divisão do voto entre Lula e Flávio no segundo turno, mas essa relação varia bastante pelo país. Quando os municípios são agrupados de acordo com o percentual de evangélicos, a vantagem muda de lado na faixa entre 20% e 40%.

Nos 502 municípios em que os evangélicos representam até 10% da população considerada pelo levantamento, Lula obteve 68,5% dos votos válidos, ante 31,5% de Flávio.

Na faixa seguinte, entre 10% e 20% de evangélicos, Lula ainda liderou por 61,3% a 38,7%, considerando 1. 929 municípios.

A diferença diminui na faixa de 20% a 30% de população evangélica, formada por 1. 819 municípios: Lula aparece com 51,3% dos votos válidos, contra 48,7% de Flávio.

A partir dos 30%, o resultado se inverte. Nos 973 municípios com proporção de evangélicos entre 30% e 40%, Flávio alcançou 54,2% e Lula, 45,8%. Entre 40% e 50%, o placar foi de 54,6% a 45,4%.

E nos 58 municípios em que mais da metade da população é evangélica, Flávio chegou a 55,2%, enquanto Lula ficou com 44,8%.

A relação, porém, não se repete com a mesma intensidade em todo o território nacional. O cálculo da correlação entre a proporção municipal de evangélicos e a votação de Lula mostra diferenças entre os estados.

Centro-Oeste: Fé e voto na mesma direção. É onde o padrão aparece com mais nitidez. Goiânia, Campo Grande e Cuiabá têm proporção de evangélicos acima da média nacional, e Flávio venceu com folga nas três.

Em Anápolis (GO), onde a presença evangélica é ainda maior, a vantagem do candidato do PL foi ainda mais ampla.

Nordeste: Em 55% dos municípios da região, os evangélicos são proporcionalmente poucos e Flávio teve votação baixa. No outro extremo, o interior nordestino concentra cidades com menos evangélicos e votação expressiva de Lula.

Juazeiro do Norte (CE), polo de romarias católicas, é um dos exemplos. Entre as grandes cidades, Salvador e Teresina deram ampla vantagem a Lula.

A região foi o principal reduto de Lula: ainda no primeiro turno, Lula liderou no Nordeste, enquanto Flávio foi melhor no Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte.

Sul: Flávio é forte mesmo sem evangélicos. Aqui a religião praticamente não explica o voto. Montauri (RS) é a cidade com menor proporção de evangélicos do país e, ainda assim, deu vitória larga a Flávio.

O mesmo vale para Caxias do Sul (RS) e Florianópolis (SC), de maioria católica. No mesmo estado fica Arroio do Padre (RS), o município mais evangélico do Brasil, que também votou em peso em Flávio: no Sul, o candidato do PL teve vantagem nos dois extremos.

No Norte acontece o inverso. Em grandes extensões do Amazonas e do Pará, a presença evangélica é alta, mas a votação de Flávio ficou na faixa intermediária ou baixa.

Isso significa que, nesses estados, municípios com percentuais maiores de evangélicos tendem a registrar percentuais menores de votos em Lula. Correlação, no entanto, não demonstra que a religião tenha causado o resultado eleitoral.

O indicador mostra que as duas variáveis se movimentam juntas, sem isolar outros fatores que também diferenciam os municípios.

O mapa nacional mostra que a composição religiosa não explica sozinha a geografia eleitoral. Há áreas do Centro-Oeste onde percentuais elevados de evangélicos coincidem com votação elevada em Flávio, enquanto partes do Sul registram força eleitoral de Flávio mesmo sem uma correspondência semelhante entre as duas variáveis.

O mapa reforça o que as pesquisas de intenção de voto já indicavam. No Datafolha feito em 6 e 7 de outubro, logo após o primeiro turno, Flávio tinha 69% de intenção de voto entre os eleitores evangélicos, contra 25% de Lula.

Ao contrário do pai, Jair Bolsonaro (PL), que se declara católico, Flávio foi batizado na fé evangélica.

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