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Educação

'Vou fazer faculdade de IA': número de graduações na área cresce

Com disputa acirrada por vagas e promessas de remuneração elevada, graduação em inteligência artificial tem 'boom' nas universidades brasileiras. Curso vai muit

8 min de leitura
'Vou fazer faculdade de IA': número de graduações na área cresce

Heloisy Rodrigues é a primeira mulher no Brasil a se formar em inteligência artificial no ensino superior público — concluiu o curso em 2023, na Universidade Federal de Goiás (UFG).

  • 🤔“O que as pessoas pensam que eu estudei?” - Quatro anos digitando comandos para o ChatGPT, produzindo imagens em IA e conhecendo ferramentas novas.
  • 😎“O que eu realmente estudei?” - Matrizes, algoritmos, estatística, álgebra linear, finanças, psicologia, engenharia de dados, empreendedorismo.
  • Cálculo, álgebra linear (essencial para redes neurais) e geometria analítica.
  • Estatística Computacional e probabilidade.
  • Programação de computadores e algoritmos.
  • Estruturas de dados, modelagem de banco de dados e engenharia de dados.
  • Desenvolvimento web, cibersegurança e sistemas operacionais.
  • Machine learning (aprendizado de máquina) e deep learning (aprendizado profundo).
  • Redes neurais e processamento de linguagem natural (PLN), usado para criar assistentes virtuais.
  • Visão computacional, voltada para a interpretação de imagens e vídeos.
  • Engenharia de prompt (comando dado à IA) e aplicações de IA generativa.
  • Robótica inteligente e sistemas autônomos.
  • Ética e legislação em ciência de dados e o conceito de humanistic AI (IA humanística), que observa diretrizes éticas em áreas como saúde e finanças.
  • Psicologia e o estudo dos impactos socioeconômicos da tecnologia.
  • Gestão de equipes, liderança e habilidades interpessoais (soft skills) para lidar com profissionais de outras áreas.
  • Empreendedorismo, gestão de negócios, startups e inteligência de negócios (BI).
  • problemas econômicos e custos: entender a viabilidade e as consequências financeiras da implementação de sistemas.
  • relação humano-máquina: estudar como as pessoas interagem e são afetadas por agentes inteligentes.
  • segurança: garantir que as soluções sejam robustas e protegidas contra usos indevidos.
  • Tecnólogo (2 a 3 anos): É um curso essencialmente ferramental. A grade curricular é prática e focada no mercado de trabalho de agora, ensinando o aluno a aplicar as tecnologias e modelos de IA já existentes para resolver problemas imediatos das empresas.
  • Bacharelado (4 a 5 anos): É uma formação mais profunda, fundacional e permanente. Em vez de focar no uso de ferramentas que podem mudar a qualquer momento, o bacharelado prepara o estudante com a base matemática e teórica necessária para criar as tecnologias do futuro.
  • O que eles têm em comum: Ambos rendem um diploma de nível superior, permitindo que o formado preste concursos públicos ou faça cursos de pós-graduação.
  • saúde: criação de mecanismos de análise preditiva para diagnosticar doenças.
  • cidades inteligentes e governo digital: otimização de serviços públicos.
  • mercado corporativo: desenvolvimento de agentes inteligentes e automação de processos.
  • IBMEC-SP: R$ 5.700 (há unidades também no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Brasília; valores podem variar).
  • Instituto Mauá de Tecnologia (Grande São Paulo): R$ 3.950,00.
  • PUC-SP: R$ 2.800 (há unidades também em Campinas, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belo Horizonte).
  • Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
  • Universidade do Estado do Amazonas(UEA).
  • Universidade Federal do Ceará (UFC).
  • Universidade Federal de Goiás (UFG).
  • Universidade Federal de Jataí (UFJ).
  • Universidade Federal de Catalão (UFCAT).
  • Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
  • Universidade Federal de Itajubá (Unifei) – campus Itabira.
  • Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) – campi Ouro Preto e João Monlevade.
  • Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
  • Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
  • Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
  • Universidade Estadual de Londrina (UEL).
  • Universidade Federal Fluminense (UFF).
  • Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
  • Universidade Federal de Sergipe (UFS).
  • Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp).
  • Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Se ela participasse daquela trend do TikTok, seria assim.

Por ser uma graduação nova no mercado — a UFG foi a primeira instituição pública a oferecer o curso no país, em 2019 —, inscrever-se no vestibular ou no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ainda traz aquela sensação de tatear no escuro.

Vale mesmo a pena? O que vou aprender? E se eu optar por um curso livre de curta duração em vez de fazer faculdade de IA.

Você saberá as respostas nesta reportagem.

Desses, 44% estão em instituições de ensino públicas, e 85,5% são na modalidade presencial.

A concorrência também vem aumentando: na UFG, a nota de corte mais alta no Sisu 2026 foi na graduação de IA, ultrapassando medicina: 846,72 pontos na ampla concorrência.

📖O conteúdo da graduação não fica “velho” muito rapidamente.

De acordo com Silvio Meira, cientista e presidente do Conselho do Porto Digital, é preciso separar o que é "alfabetização em IA" do que é uma graduação. Enquanto a alfabetização ensina a usar ferramentas como o ChatGPT no dia a dia, por exemplo, o bacharelado foca em como criar essas inteligências.

A base do curso é formada por lógica, estatística computacional, álgebra, teoria da computação e algoritmos. Para Meira, se o curso focar apenas em ferramentas atuais, o aluno vai se formar “para o passado”: os conteúdos ficarão obsoletos muito rapidamente.

Por isso, é mais importante entender os fundamentos de base da IA — estes, sim, são mais “duráveis”.

💻O que o aluno aprende no curso de IA.

As disciplinas, em geral, são divididas entre os seguintes eixos principais.

Para "conversar com a máquina", o aluno precisa dominar a linguagem dos números. As matérias fundamentais incluem.

2. Fundamentos de computação e dados.

Neste eixo, o estudante aprende a arquitetura por trás dos sistemas.

3. Especialidades em inteligência artificial.

São as disciplinas que focam nas tecnologias emergentes.

4. Ética, humanidades e soft skills.

Como a IA traz soluções, mas também pode gerar problemas, o currículo inclui uma forte carga de responsabilidade social.

Para garantir que o aluno saiba resolver "dores" reais, os cursos oferecem.

👩‍💻Quais as diferenças do curso de IA em relação aos de ciência da computação e outros da área.

A graduação em IA é considerada um aprofundamento da ciência da computação, voltado para algoritmos de processamento de dados e de informações. Silvio Meira explica que, enquanto cursos de engenharia da computação ou sistemas de informação são mais generalistas, o de IA concentra as disciplinas opcionais dessas áreas como o seu foco principal.

Leonardo Tomazeli, professor da Unicamp — universidade que passará a oferecer a graduação em IA a partir de próximo vestibular —, reforça que o diferencial do novo curso é ter espaço e tempo para "destrinchar todos os pontos específicos" da linguagem, desde a técnica até o uso ético e responsável.

Por que esses cursos focam tanto em ética.

O estudante explora questões como os impactos socioeconômicos e psicológicos do uso dessas ferramentas em larga escala. A graduação prepara o aluno para analisar.

Tomazeli reforça que o curso deve formar profissionais conscientes de que, embora a IA traga soluções, ela também "pode trazer problemas". Os alunos aprendem a identificar essas dificuldades e a buscar formas de mitigá-las.

Para garantir essa visão crítica, as universidades têm apostado na interdisciplinaridade. Na Unicamp, por exemplo, o corpo docente planeja contar com profissionais das ciências sociais para atuar diretamente nos aspectos éticos e responsáveis da tecnologia.

🤔Quais as principais diferenças entre graduação e cursos de curta duração.

A principal distinção está na profundidade. Cursos de curta duração geralmente preenchem necessidades pontuais e ensinam a usar a tecnologia para resolver problemas imediatos.

Já a graduação, que dura entre quatro e cinco anos, foca no desenvolvimento de habilidades complexas e maturidade acadêmica.

O curso superior ajuda o aluno a resolver problemas e lidar com conhecimento complexo", afirma Paula Esteban, do IBMEC, faculdade privada que oferece o curso com campus em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.

Na graduação, explica a especialista, o estudante "aprender a aprender", desenvolvendo a adaptabilidade necessária para uma área que se transforma semanalmente.

A distinção fundamental está na profundidade e no objetivo de carreira de cada um. Ambos são cursos de nível superior, mas olham para o mercado de formas diferentes.

👾Em que áreas o bacharel pode trabalhar? Como está o mercado.

O mercado é descrito como "extremamente aquecido" e com demanda praticamente infinita. Por ser uma tecnologia de propósito geral, a IA impacta todos os setores.

O bacharel pode atuar no desenvolvimento de novos métodos ou em aplicações específicas, como.

Para Heloisy Rodrigues, que se formou em 2023, o diferencial é a flexibilidade.

🧮Qual perfil de aluno vai se dar bem na faculdade de IA? Precisa gostar de quais assuntos.

Engana-se quem pensa que o curso é apenas para o estudante que gosta de ficar isolado digitando códigos. O perfil atual é interdisciplinar: espera-se que o estudante desenvolva soft skills, como a capacidade de liderar equipes, de entender impactos éticos e sociais, e de empreender para solucionar problemas do mercado.

Mas, se a pessoa não gosta de exatas, dificilmente terá ânimo para seguir até o fim do curso. A parte numérica é essencial.

Nas faculdades privadas, qual o valor da mensalidade.

Exemplos de públicas que oferecem o curso.

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