Mesmo considerando a realidade de cada região, como dificuldade de acesso à internet ou baixa escolarização dos pais dos alunos, 20 estados e o Distrito Federal tiveram notas de matemática no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) abaixo das esperadas para seus níveis socioeconômicos.
- status profissional mais alto da família.
- recursos e bens em casa (como acesso a livros e à internet).
- um resumo com os pontos principais do levantamento.
- uma explicação dos motivos pelos quais o contexto social deve ser considerado.
- o desempenho de cada estado em matemática, em leitura e em ciências, levando em conta o nível socioeconômico.
- os destaques negativos e positivos nas três disciplinas.
- Ao todo, 21 estados ficaram abaixo do esperado em matemática — a disciplina com o maior número de estados no "vermelho" entre as três avaliadas.
- O Paraná é o estado que mais superou as expectativas para seu nível socioeconômico, com 15 pontos acima do previsto — o maior destaque positivo do país.
- Ceará, Minas Gerais e Piauí também tiveram desempenho acima do esperado, considerando seus indicadores socioeconômicos mais baixos do que a média nacional.
- Roraima apresenta o pior resultado relativo do país: 50,2 pontos abaixo da expectativa.
- Estados do Norte concentram os piores desempenhos relativos: Roraima, Tocantins, Amapá e Amazonas estão entre as cinco maiores diferenças negativas.
- Paraná lidera com folga: 59 pontos acima do esperado, a maior diferença positiva entre as três disciplinas e estados avaliados.
- Minas Gerais (+52,9) e Ceará (+49,7) também se destacam bastante acima do previsto para seu contexto socioeconômico.
- Leitura foi a disciplina com o melhor desempenho relativo do Brasil: a maioria dos estados (24 de 27) superou a expectativa para sua realidade socioeconômica.
- Apenas três estados ficaram abaixo do esperado: Roraima, Tocantins e Mato Grosso — e com diferenças bem menores do que as observadas em matemática e ciências.
- Mato Grosso teve a menor diferença negativa entre todas as disciplinas: apenas -1,0 ponto, praticamente dentro do esperado.
- Paraná volta a liderar: 39,8 pontos acima do esperado, seguido por Minas Gerais (+29,6) e São Paulo (+27,3).
- Roraima tem, mais uma vez, o pior resultado relativo: 40,4 pontos abaixo do esperado.
- O Distrito Federal, apesar da nota alta em termos absolutos, ficou levemente abaixo do esperado (-0,5).
- Rio de Janeiro ficou abaixo do esperado em duas das três disciplinas avaliadas, indicando desempenho aquém do que seu perfil socioeconômico sugeriria.
- Estados do Norte (Roraima, Tocantins, Amapá, Mato Grosso, Amazonas) dominam as piores posições relativas, repetindo o padrão observado em matemática.
- Escolaridade dos pais: o maior nível educacional alcançado pelo pai ou pela mãe, convertido em anos estimados de estudo.
- Status ocupacional: A posição profissional mais alta entre os responsáveis, medida pela escala internacional de status socioeconômico de ocupações (ISEI).
- Recursos e bens em casa: Uma medida aproximada para a riqueza familiar, que inclui a posse de itens como livros educacionais, espaço próprio para estudar e computadores, além da disponibilidade de acesso à internet.
Pesquisadores do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), a pedido do g1, adaptaram os resultados estaduais tanto de matemática quanto de leitura e de ciências, considerando, em uma escala padronizada, os seguintes aspectos dos alunos.
O patamar é sempre calculado considerando que o “zero” é o perfil dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Leia os critérios detalhados mais abaixo.
Procurada pelo g1 para comentar os resultados do Pisa, a Secretaria de Educação do RJ não havia respondido até a mais recente atualização da reportagem. Veja o que outros estados disseram.
Em matemática, a diferença para o que era esperado é mínima: apenas +2,3 pontos — a menor margem positiva entre os cinco estados que superaram a expectativa. Na prática, São Paulo está fazendo quase exatamente o que se esperaria dado seu contexto, nem mais, nem menos.
Comparar o desempenho na educação de um estado rico com o de um mais pobre só faz sentido se levarmos em conta a realidade socioeconômica de cada um.
É mais comum encontrar em São Paulo do que em Roraima, por exemplo, alunos cujas famílias tenham grau de escolaridade elevado e recursos em casa que favoreçam os estudos (internet de qualidade, livros, espaço confortável).
Outro exemplo: no Distrito Federal, 15,6% dos jovens de 15 anos têm pais/mães que estudaram só até o 9º ano. No Piauí, o índice dobra: 30,5%.
Tendo esses contextos individuais em vista, como cada estado (contando também o DF) se saiu no Pisa.
Ricardo Henriques, da Fundação Unibanco, afirma que é “fundamental garantir a alfabetização na idade adequada e manter, ao longo de toda a educação básica, o trabalho com interpretação, argumentação e produção de textos”.
O que compõe o indicador socioeconômico.
Como afirmado no início da reportagem, o índice resume três dimensões principais da família do aluno em uma única escala padronizada.
Comparação em uma década: quais os avanços.
Observando apenas as médias de 2015 e 2025, seria possível afirmar que houve grandes avanços em diversos estados brasileiros.
Mas a conclusão pode ser enganosa: como as amostras de alunos que fazem a prova do Pisa são pequenas, as “margens de erro”, informadas pela OCDE no levantamento, são mais significativas.
O que é possível concluir sobre avanços e retrocessos dos estados ao longo de uma década, mesmo diante da margem de erro significativa.
O Paraná alcançou 462 pontos em ciências e 458 em leitura. Na pior hipótese, caso os números estejam no patamar mais baixo do intervalo de confiança, o estado conseguiu ultrapassar a faixa dos 450 pontos.
É a primeira vez que um estado brasileiro ultrapassa essa marca.
São Paulo ficou acima do esperado no desempenho de 2025, mesmo considerando o nível socioeconômico mais elevado dos estudantes em relação ao resto do país. Mas só é possível constatar que houve uma evolução no intervalo de 10 anos em ciências.
As notas de matemática de 2015 e de 2025, assim como as de leitura, se sobrepõem ao levar em conta a margem de erro. Estatisticamente, pode ter havido melhora, estagnação ou piora nessas duas disciplinas.
PISA: Brasil estagnado em Leitura, Matemática e Ciências.
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