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De 'mauricinho' a 'farmar aura': como as gírias mudam de uma geração para outra

Expressões que duravam anos passaram a ser substituídas em poucos meses com o avanço das redes sociais; especialistas explicam como a linguagem acompanha as mud

2 min de leitura
De 'mauricinho' a 'farmar aura': como as gírias mudam de uma geração para outra

Gírias têm prazo de validade? Especialistas explicam por que elas desaparecem tão rápido.

As expressões que circulam entre adolescentes mudam cada vez mais rápido. Se nos anos 1990 personagens de TV chamavam alguém de “mauricinho” ou mandavam o outro “ralar peito”, hoje o vocabulário da geração Z inclui termos como “farmar aura”, “FOMO” e “POV”.

Especialistas explicam que as gírias acompanham transformações sociais e tecnológicas e funcionam como uma marca de pertencimento entre grupos.

Entre adolescentes entrevistados, o surgimento das gírias está diretamente ligado ao ambiente digital. “Algum influencer fala e o vídeo viraliza. Vai chegando às pessoas e, quando você vai ver, já virou uma gíria que todo mundo tá falando”, afirmou uma jovem.

Termos como “farmar aura”, usado para descrever alguém que chama atenção ou ganha prestígio, e “FOMO”, sigla em inglês para o medo de ficar de fora de algo, estão entre as expressões mais populares do momento.

A velocidade com que essas palavras entram e saem de circulação impressiona até especialistas. A psicóloga Paloma Garcia, que criou um dicionário digital para entender melhor a linguagem dos adolescentes, afirma que as gírias funcionam como uma espécie de código de identificação.

Segundo ela, enquanto as gírias dos baby boomers podiam permanecer em uso por cerca de uma década, hoje muitas sobrevivem apenas alguns meses. “Quando a outra geração, os pais, começam a usar essa gíria, ela deixa de fazer sentido”, afirmou.

A mudança fica evidente quando se compara o vocabulário atual ao de décadas passadas. Em cenas de produções dos anos 1990, expressões como “mauricinho” e “rala peito” eram comuns entre os jovens da época.

Além das palavras, os códigos de comunicação também incluem memes, danças, referências compartilhadas e até abreviações. “Ao invés de ‘miga’, a gente fala ‘mi’”, contou uma adolescente entrevistada, mostrando como a linguagem continua se reinventando.

Para os estudiosos, a transformação constante da língua é natural. As gírias mudam, mas cumprem a mesma função de sempre: ajudar cada geração a construir sua própria identidade e marcar diferenças em relação aos pais.

O que hoje é “farmar aura”, amanhã poderá soar tão distante quanto o antigo “mauricinho”.

Confira as últimas reportagens do Globo Repórter.

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