Entre brasileiros com dificuldades de mobilidade, sem nenhum comprometimento cognitivo, o alto índice de analfabetismo evidencia a falta de inclusão na educação, como mostra o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (18), no estudo “Pessoas com Deficiência (PcD) e as Desigualdades Sociais no Brasil”.
- 95,6% das crianças de 6 a 14 anos na escola (versus 98,4% dos sem deficiência).
- 82,8% dos adolescentes de 15 a 17 anos na escola (versus 85,4% dos sem deficiência).
Segundo o levantamento do IBGE, das PcD que têm dificuldades associadas apenas a funções intelectuais, 40,4% não leem e não escrevem.
Saber quantas delas não atingiram esse nível de proficiência devido a um sistema escolar falho exigiria uma análise no âmbito individual.
Dependendo da deficiência, questões cognitivas podem dificultar o aprendizado de leitura e de escrita. É possível que um adolescente não verbal, por exemplo, com acesso de qualidade à educação, demonstre avanços significativos no desenvolvimento, mas não seja alfabetizado.
Quantos vão para a escola? E em que condições.
Inclusão não é apenas estar na escola: além da matrícula garantida, é preciso também ter acesso a adaptações que garantam a socialização plena e a aprendizagem.
Vamos separar os dois fatores, então. Quanto à frequência escolar bruta, ou seja, à porcentagem de pessoas com deficiência que vão à escola, a taxa já é ligeiramente menor do que a média do restante da população, principalmente a partir do ensino médio.
A segunda parte da análise, a seguir, indica os recursos de acessibilidade proporcionados nas instituições de ensino.
A sala de recursos multifuncionais, essencial para que haja o Atendimento Educacional Especializado (AEE) no contraturno escolar, só está presente em 15% dos colégios privados do Brasil.
Na rede pública, em 34,5%. E o banheiro adaptado para crianças e jovens com dificuldade de locomoção só é encontrado em pouco mais da metade das instituições de ensino municipais e estaduais.
Professora faz ‘educação delivery’ no sertão do Ceará, dá aula a crianças com deficiência.
O acesso ao ensino superior aumentou com o crescimento da educação à distância — nessa modalidade, o número de estudantes com deficiência matriculados quadruplicou entre 2019 e 2024.
Considerando tanto o formato presencial quanto a EAD, em um período de dez anos (2004 a 2014), houve um salto de 33. 377 matrículas para 95. 572.
O levantamento do IBGE não detalha quantos chegaram a concluir o curso.
Mais de mil crianças e adolescentes com deficiência aguardam por adoção no Brasil.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…