A compra da casa própria continua movimentando um dos maiores mercados de crédito do país. Mesmo com os juros em patamar elevado, o financiamento imobiliário mantém trajetória de expansão, sustentado principalmente pelo Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
O protagonismo do MCMV cresceu à medida que o financiamento tradicional com recursos da caderneta de poupança perdeu fôlego. Para as incorporadoras, a oferta de subsídios públicos e de funding direcionado tem garantido o ritmo de lançamentos e vendas em um momento em que a Selic (taxa básica de juros) torna o crédito livre proibitivo para boa parte das famílias.
A partir de 2027, quem ocupar o Palácio do Planalto enfrentará o desafio de combater o déficit habitacional enquanto se redesenha o financiamento do setor diante de juros altos, capital mais disputado e mudanças no funding imobiliário.
A leitura dos planos de governo protocolados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que os 12 candidatos à Presidência divergem sobre quem deve carregar o risco do financiamento habitacional, quanto subsídio deve ser oferecido e se o Estado deve escolher o imóvel ou apenas financiar a família.
LULA PROPÕE AMPLIAÇÃO DO MINHA CASA, MINHA VIDA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende o modelo vigente do Minha Casa, Minha Vida. O documento afirma que o MCMV será mantido e ampliado para todas as faixas de renda, preservando o foco nas famílias de menor renda.
A proposta de reeleição também prevê novos instrumentos para ampliar o acesso ao programa, entre eles a Compra Assistida, que permite, em situações específicas, a aquisição de imóveis prontos; e a utilização de terrenos e imóveis da União, inclusive em áreas centrais e valorizadas, para projetos habitacionais, além da criação de instrumentos como o Fundo Imobiliário da União.
Faz parte da estratégia ainda ampliar o Reforma Casa Brasil e manter a urbanização de favelas e a regularização fundiária por meio do Periferia Viva.
FLÁVIO PROMETE VOLTAR AO CASA VERDE E AMARELA.
Flávio Bolsonaro (PL) propõe retomar o Casa Verde e Amarela, programa criado no governo Jair Bolsonaro para substituir o Minha Casa, Minha Vida.
O plano de governo de Bolsonaro estabelece uma meta de 2,5 milhões de residências e promete a menor taxa de juros possível para o financiamento. Também prevê regularização fundiária, urbanização de áreas degradadas e parcerias público-privadas que combinem moradia e infraestrutura.
A proposta condiciona a redução dos juros do financiamento da casa própria à queda da dívida pública e da taxa básica de juros via política macroeconômica.
A Caixa Econômica Federal passa a ser desenhada como o Banco da Prosperidade, funcionando como centralizadora de crédito, orientação financeira e regularização de imóveis.
O plano estabelece o programa Ganha-Ganha, no qual ações do cidadão (como fazer cursos de capacitação, formalizar o trabalho e manter pagamentos em dia) geram pontuação positiva para garantir juros menores e acesso facilitado ao crédito imobiliário.
O projeto defende também a criação de Parcerias Público-Privadas (PPPs) que integrem, em um mesmo contrato, a construção das moradias e a execução da infraestrutura urbana.
A proposta prevê acelerar concessões e parcerias privadas com base no Marco Legal do Saneamento para universalizar o acesso à água tratada e à coleta de esgoto.
CAIADO LIGA CRÉDITO BARATO AO AJUSTE FISCAL E RISCO-PAÍS.
Ronaldo Caiado (PSD) projeta o alívio nas taxas de financiamento como consequência direta da consolidação fiscal e da queda do risco-país. Seu plano defende que o barateamento do crédito depende do equilíbrio das contas públicas, da estabilização da relação Dívida/PIB e da coordenação entre as políticas fiscal e monetária, respeitando a autonomia do Banco Central para permitir queda de juros sem inflação ou estresse fiscal.
Para alongar os prazos do financiamento imobiliário e de infraestrutura, o candidato propõe aprofundar o uso de instrumentos privados, como títulos incentivados, securitização e fundos de investimento.
Defende o aprimoramento de garantias públicas e mecanismos de compartilhamento de risco para dar previsibilidade às instituições financeiras.
O plano de Caiado sugere a eliminação de entraves regulatórios e tributários para permitir que investidores institucionais (como fundos de previdência e seguradoras) aloquem capital de longo prazo em projetos de desenvolvimento urbano e infraestrutura social por decisão de mercado e sob governança técnica.
Em números
- O plano de governo de Bolsonaro estabelece uma meta de 2,5 milhões de residências e promete a menor taxa de juros po
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…