As decisões de Donald Trump na política comercial e no Oriente Médio podem ter se transformado em um dos principais obstáculos para o Partido Republicano nas eleições legislativas americanas.
Na avaliação da professora de Relações Internacionais Ana Carolina Marson, da FESPSP, as tarifas de importação e a guerra contra o Irã contribuíram para elevar o custo de vida e ampliar a insatisfação com o governo.
O problema, segundo ela, é que algumas medidas adotadas para cumprir essas promessas acabaram produzindo pressões adicionais sobre os consumidores.
As tarifas podem encarecer produtos importados e insumos utilizados pela indústria americana. A intensidade desse efeito depende da capacidade de empresas e fornecedores de absorver custos ou repassá-los aos preços finais.
Eleição do Congresso nos EUA põe à prova Trump e sua influência no mundo.
Resultado indicará o futuro do presidente norte-americano, Donald Trump, e de seus projetos, locais ou mundiais.
Trump compartilha montagem que mostra a Groenlândia como base militar dos EUA.
A imagem traz a inscrição “Welcome to Greenland”, que significa “bem-vindo à Groenlândia”.
Ana Carolina argumenta que a tentativa de estimular a produção doméstica por meio de barreiras comerciais encontra limites na estrutura atual da economia americana.
Em determinados setores, os Estados Unidos continuam dependendo de fornecedores estrangeiros, mesmo quando as importações passam a ser tributadas.
A professora citou a dependência de semicondutores produzidos em Taiwan e de minerais críticos utilizados em setores estratégicos. Na avaliação dela, elevar tarifas não resolve automaticamente essas vulnerabilidades.
Para a professora, a consequência política aparece quando o consumidor percebe que os preços continuam elevados, apesar das promessas de fortalecimento da economia nacional.
A guerra que entrou na conta do eleitor.
O conflito com o Irã acrescentou outro elemento de pressão econômica. A instabilidade no Golfo Pérsico e as restrições ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz afetaram o mercado internacional de petróleo, com repercussões sobre combustíveis e custos de produção.
A professora também apontou uma contradição entre o discurso eleitoral de Trump, que prometia evitar novas intervenções militares custosas, e sua decisão de ampliar o envolvimento americano no Oriente Médio.
Na avaliação dela, a falta de clareza sobre os objetivos militares dificultou a defesa política da operação.
A combinação entre tarifas, preços de energia e gastos militares pode atingir diretamente a percepção econômica do eleitorado, ainda que cada fator tenha efeitos distintos sobre inflação e atividade.
A professora considera que a insatisfação econômica ajuda a explicar por que as eleições de meio de mandato se tornaram uma disputa difícil para os republicanos.
Para ele, recuperar a capacidade produtiva dos Estados Unidos é um desafio que não pode ser resolvido apenas com a imposição de tarifas.
A discussão coloca o custo de vida no centro da disputa pelo Congresso. Embora Trump não esteja concorrendo, os eleitores terão a oportunidade de avaliar os resultados de sua administração e decidir se preservam ou alteram a maioria legislativa que sustenta o governo.
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