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Corumbá - MS | Sexta-feira, 6 de novembro de 2026 | 14:40

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Servidores do IBGE têm salários zerados após greve; sindicato contesta descontos

Instituto afirma que seguiu norma federal que prevê desconto dos dias parados; entidade diz que trabalhadores já repuseram as atividades e cobra negociação.

3 min de leitura
Servidores do IBGE têm salários zerados após greve; sindicato contesta descontos

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) descontou dos salários dos servidores os dias de greve de quem participou de uma paralisação em agosto e setembro de 2026.

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Os valores foram descontados de uma só vez na folha de pagamento de outubro e variaram de acordo com o período em que cada servidor aderiu à paralisação.

A medida é contestada pela Associação dos Servidores do IBGE (ASSIBGE-SN). Segundo a entidade, os trabalhadores atingidos já haviam reposto as atividades, mas tiveram os dias parados descontados integralmente.

Em nota publicada na quinta-feira (5), o sindicato afirmou que os descontos atingiram dezenas de trabalhadores de diferentes estados e cobrou a abertura de negociações com a direção do instituto para buscar uma solução.

Em manifestação publicada nesta sexta-feira (6), o IBGE afirmou que seguiu as normas aplicáveis à administração pública federal, especialmente a Instrução Normativa SRT/ I nº 49.

A regra prevê o desconto da remuneração correspondente aos dias de paralisação decorrentes de greve.

A exceção ocorre quando fica demonstrado que o movimento foi provocado por conduta ilícita da administração pública, em situação de abusividade reconhecida pelo Poder Judiciário.

O instituto também ressaltou que a norma não prevê a compensação automática dos dias parados nem o parcelamento obrigatório dos valores descontados.

Ao todo, 143 servidores tiveram períodos de paralisação registrados nos assentamentos funcionais. Os afastamentos variaram de 1 a 25 dias, e os descontos foram processados na folha de outubro.

Segundo o IBGE, a adesão ao movimento alcançou cerca de 1% do conjunto de servidores.

A ASSIBGE-SN afirma que tenta negociar uma solução para os descontos há mais de um mês. Segundo a entidade, uma proposta de Termo de Acordo foi encaminhada à Presidência do IBGE, mas as tratativas não avançaram.

O sindicato também acionou o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos ( I) para tentar viabilizar uma reunião entre as partes.

Em ofício enviado à entidade em 4 de novembro, o ministério informou que aguardava uma manifestação do IBGE sobre a disponibilidade de uma data para o encontro.

A ASSIBGE-SN informou que está contestando administrativamente os descontos, mas ainda não entrou com uma ação judicial sobre o caso.

Ainda na manifestação desta sexta-feira, o instituto afirmou que os servidores poderão apresentar questionamentos sobre a apuração individual dos dias de paralisação e os respectivos valores descontados.

Os casos poderão passar por análise administrativa.

Segundo o IBGE, eventuais revisões de lançamentos, caso sejam identificadas inconsistências, e a possibilidade de parcelamento dos valores deverão respeitar a legislação e as orientações dos órgãos centrais competentes.

Sobre as negociações com o sindicato, o instituto afirmou que comunicou oficialmente à entidade que uma nova rodada de conversas será iniciada após o encerramento do período de defeso eleitoral.

A direção negou que esteja se recusando ao diálogo e disse que mantém a disposição para negociar, desde que respeitados os limites legais e administrativos.

A reportagem procurou o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos ( I), que informou que emitirá um posicionamento sobre o caso nas próximas horas.

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