Na última semana, o governo anunciou um reajuste de cerca de 15% no Bolsa Família (BF), elevando todos os benefícios do programa de forma linear. Poderia parecer uma boa notícia: diversas avaliações mostram que o BF foi capaz, ao longo dos anos, de reduzir a pobreza, com efeitos concentrados nas crianças —melhora em indicadores de saúde e desempenho educacional e maiores chances de mobilidade social.
Mas o Bolsa Família de hoje é bastante diferente daquele criado em 2003, que gerou todos esses resultados. Ele passou por mudanças significativas, que fizeram com que justamente as crianças perdessem prioridade.
Entre as mudanças está a garantia de um benefício mínimo por família, com ou sem crianças, herdado das regras do Auxílio Emergencial, que foi pago durante a pandemia.
Essa regra faz com que famílias muito diferentes entre si recebam exatamente o mesmo valor, independentemente de quantas crianças têm e de que idade.
Fica assim evidente que o valor mínimo penaliza justamente as famílias com crianças, ignorando que é nelas que a pobreza mais se concentra. Desconsidera também que o retorno de programas assistenciais é maior entre as crianças, já que é nessa fase que se formam as capacidades que as tornarão mais produtivas, mais inseridas no mercado de trabalho e menos dependentes dessa mesma assistência na vida adulta.
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