O Canadá está "em guerra" comercial com os Estados Unidos depois que o presidente Donald Trump "errou nos cálculos" ao intensificar sua ofensiva tarifária, afirmou o primeiro-ministro Mark Carney.
Carney fez um pronunciamento desafiador à nação neste sábado (22), após suspender durante a noite as negociações comerciais com os EUA, e disse que o que o governo Trump havia exigido era um "mau acordo.
Você está em guerra quando é atacado, e nós fomos atacados", disse Carney a jornalistas em Ottawa.
Segundo ele, o presidente Trump subestimou a disposição do Canadá de suportar dificuldades econômicas, em um "erro de cálculo" que intensificou a guerra comercial.
Não podemos aceitar o que eles ofereceram e não daremos o que eles pediram", afirmou.
Carney disse que as mudanças de última hora propostas pelos EUA eram inaceitáveis para Ottawa. O Canadá não havia apresentado nenhuma nova exigência e ficava "continuamente decepcionado" com as respostas americanas às questões levantadas por integrantes do governo Trump, à medida que se aproximava o prazo final da meia-noite, acrescentou.
O presidente dos EUA, que se apresenta como um mestre das negociações, ainda não comentou o fracasso das conversas comerciais, depois de afirmar na tarde de sexta-feira (21): "Deveríamos conseguir fechar um acordo com o Canadá.
Tarifas de 50% dos EUA sobre Canadá entram em vigor após fracasso em negociações.
Carney disse que Ottawa estava disposta a retirar tarifas retaliatórias sobre setores estratégicos, especialmente aço e alumínio, caso os EUA "reduzissem substancialmente" as suas sobre empresas canadenses.
Em troca de um acordo justo, incentivaríamos nossas províncias a recolocar as bebidas alcoólicas americanas nas prateleiras", afirmou.
Mas, apesar do "progresso rumo a um possível acordo" nesta semana, os EUA mudaram repentinamente de posição, disse ele.
Eles pediram demais e ofereceram muito pouco", afirmou. "É uma demonstração de força.
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Carney enumerou as várias concessões feitas pelo Canadá para atender à lista mutável de queixas dos EUA, desde questões relacionadas ao tráfico de fentanil até anúncios contra as tarifas que haviam despertado a ira do presidente americano.
O Canadá havia agido "de boa-fé para tentar chegar a um entendimento e garantir um acordo abrangente que atendesse aos interesses tanto dos canadenses quanto dos americanos", afirmou.
Carney disse que não havia "nenhuma justificativa" para as novas exigências dos EUA em relação à indústria automobilística e acrescentou: "Isso tornaria a produção cada vez menos viável economicamente.
Na última hora, os EUA também introduziram medidas para restringir a capacidade do Canadá de fechar acordos comerciais com outros países, disse ele. Também levantaram novas preocupações sobre supostas barreiras comerciais decorrentes de normas linguísticas na província francófona de Quebec.
Como resultado, pouco antes da meia-noite de sexta-feira, as negociações fracassaram, intensificando a guerra comercial entre o governo Trump e seu vizinho ao norte.
Era um mau acordo", disse no sábado o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford. "Donald Trump está tentando causar sofrimento a todos os canadenses; nós responderemos na mesma moeda.
O Canadá buscava a redução das tarifas de 50% sobre seus setores de aço e alumínio e de 25% sobre veículos, além de tarifas e taxas antidumping sobre a madeira, que, nos últimos 18 meses, provocaram o fechamento de fábricas e a perda de empregos.
Carney disse que o Canadá responderia às novas tarifas americanas "dólar por dólar" após o fracasso das negociações.
As novas tarifas dos EUA foram concebidas para nos prejudicar e nos dividir; são um erro de cálculo", afirmou.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.