O cenário de petróleo mais caro melhorou as perspectivas para as petroleiras latino-americanas, mas o forte aumento dos custos de transporte marítimo pode impedir que produtoras brasileiras capturem integralmente esse benefício, segundo avalia o Goldman Sachs em relatório sobre as perspectivas do setor para o terceiro trimestre de 2026.
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O banco mantém preferência relativa pela Petrobras (PETR3; PETR4) entre as empresas de óleo e gás da América Latina.
O Goldman mantém recomendação de compra para os dois papéis.
Com petróleo mais caro, maior produção e melhora das perspectivas para as margens de refino no próximo ano, o Goldman aumentou sua projeção de Ebitda ajustado da Petrobras em 5% para 2026 e em 10% para 2027.
Como parcela relevante do petróleo produzido na América Latina é exportada para a Ásia, a alta do transporte pode pressionar os preços efetivamente recebidos pelas empresas.
Em princípio, essa diferença poderia melhorar os preços realizados pelas produtoras. Dados de alta frequência citados pelo Goldman, porém, indicam que a Petrobras não conseguiu aproveitar totalmente essa diferença recentemente, possivelmente devido ao salto do frete.
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Por isso, o banco espera alguma deterioração sequencial dos diferenciais das exportações marítimas de petróleo tanto da Petrobras quanto da PRIO (PRIO3) no terceiro trimestre em relação ao segundo.
Outro ponto é o momento em que a alta do petróleo aparece nos balanços. Segundo o Goldman, a Petrobras já explicou que a maior parte das exportações para a Ásia tem os preços definidos com cerca de um mês de defasagem.
Como a valorização mais recente do Brent ocorreu apenas no fim do terceiro trimestre, parte do impacto positivo pode aparecer somente nos números do quarto trimestre.
Petrobras: mais produção – e investimentos.
O aumento está relacionado, entre outros fatores, à expectativa de que a Petrobras conecte três novas plataformas no campo de Búzios no primeiro semestre de 2027, exigindo aceleração dos investimentos já no segundo semestre deste ano.
O capex maior pode reduzir o espaço para distribuição de dividendos. Por outro lado, os analistas ressaltam que a aceleração dos investimentos está associada ao esforço para antecipar novas unidades e reduzir riscos para a trajetória futura de produção.
O Goldman está 9% acima do guidance da Petrobras para produção de petróleo em 2026 e 14% acima para 2027.
Para o terceiro trimestre, a previsão do banco é de produção total de 3,471 milhões de barris de óleo equivalente por dia, aumento de 10% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Para a Petrobras, porém, o benefício no terceiro trimestre tende a ser limitado pela diferença entre os preços domésticos e internacionais do diesel. O Goldman calcula que os preços da estatal estejam cerca de 21% abaixo da paridade internacional, mesmo considerando o aumento recente dos subsídios aos combustíveis.
Ainda assim, a combinação de exposição a petróleo e diesel, crescimento da produção e valuation é justamente o que sustenta a preferência do Goldman pela estatal.
Em números
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