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Economia Revisado por ULTRA AI

Perdas de empregos são a maior ameaça para Milei na Argentina, dizem especialistas

País perdeu 241 mil empregos formais desde a posse do presidente; desemprego supera inflação como principal preocupação dos eleitores

5 min de leitura
Economia — imagem padrão

O presidente Javier Milei conseguiu reduzir a inflação e a pobreza na Argentina, além de eliminar o déficit fiscal do país. No entanto, o mercado de trabalho continua preso à crise que ele prometeu enfrentar ao assumir o cargo.

Pelo segundo ano consecutivo, a economia sul-americana cresce enquanto o emprego formal recua, justamente no segmento em que os trabalhadores contam com salário, benefícios e assistência médica.

Essas perdas de postos de trabalho representam, possivelmente, a principal ameaça à tentativa de reeleição de Milei no próximo ano, em um momento em que investidores torcem para que o pêndulo político argentino não se afaste de sua agenda pró-mercado.

A Argentina perdeu 241 mil empregos formais no setor privado desde que Milei assumiu a presidência, o equivalente a 4% do total, enquanto sua administração eliminou 73 mil vagas no setor público, segundo dados oficiais.

O número de empresas empregadoras do setor privado caiu para 482 mil, o menor nível desde 2007, de acordo com o centro de estudos Fundar.

Apenas uma província, Neuquén, impulsionada pelo boom energético do país, registrou aumento no número de empresas durante o governo Milei. Isso sugere que os trabalhadores não estão conseguindo migrar dos setores em dificuldade para os que estão em expansão, segundo a consultoria Equilibra.

A indústria e a construção lideram as perdas de empregos formais, enquanto cresce o número de pessoas atuando em entregas por aplicativo, transporte por plataformas digitais e serviços em restaurantes, atividades geralmente marcadas pela informalidade.

O secretário de Trabalho da Argentina, Julio Cordero, não respondeu aos pedidos de entrevista.

Segundo a pesquisa LatAm Pulse, realizada pela AtlasIntel para a Bloomberg News, o desemprego supera a inflação como principal preocupação econômica dos eleitores há um ano.

Ao mesmo tempo, a aprovação de Milei, em 37%, está próxima do nível mais baixo de seu mandato.

Parte dessa mudança nas preocupações decorre justamente do sucesso de Milei em reduzir a inflação, que antes estava em patamares de três dígitos. Além disso, desemprego elevado nem sempre é decisivo para o eleitorado.

Carlos Menem foi reeleito em 1995 apesar de uma taxa de desemprego de dois dígitos, após derrotar a hiperinflação. A diferença é que, naquela época, a inflação anual estava abaixo de 2%.

Para o próximo ano, economistas projetam inflação em torno de 20%.

Embora as políticas de Milei tenham ajudado a conter os preços, elas também contribuíram para parte das perdas de empregos. Os cortes de gastos, considerados necessários por muitos analistas, reduziram as obras públicas e elevaram as tarifas de serviços, afetando a construção civil, a renda disponível das famílias e o consumo.

Além disso, mesmo com alguns controles cambiais ainda em vigor, a valorização da moeda tornou os serviços argentinos, da tecnologia ao turismo, mais caros. As medidas de abertura econômica aumentaram a concorrência externa e ajudaram a desacelerar os preços, mas também pressionaram setores tradicionais da economia.

Até mesmo os setores considerados mais competitivos, como petróleo, mineração e tecnologia, registram desaceleração ou estagnação nas contratações durante a era Milei, segundo dados do governo e relatórios do setor.

Na empresa de serviços em nuvem The Black Puma, de Patricio Pagani, o número de funcionários praticamente dobrou durante o período entre a pandemia e o governo Milei, chegando a cerca de 40 colaboradores.

No entanto, os salários do setor privado em dólares dobraram desde que o presidente assumiu o cargo, reduzindo as margens da empresa. Agora, Pagani busca contratar mais profissionais no Brasil e abrir operações na Colômbia, onde os custos trabalhistas são menores.

Segundo ele, há tantos profissionais experientes de tecnologia procurando emprego em Buenos Aires que a empresa deixou de contratar para cargos de entrada.

A taxa de desemprego na economia formal chegou a 7,8%, mas o impacto é parcialmente mascarado pelo crescimento do mercado informal, que já representa 44% da força de trabalho do país.

Um estudo da Universidade Católica Argentina mostrou que trabalhadores de diferentes níveis de renda e escolaridade estão migrando para a informalidade, vista por economistas mais como uma necessidade do que uma escolha.

Sergio Moreno, diretor da Fundação Oficios, em Benavídez, recebeu mais de 3. 500 inscrições para 700 vagas em seu programa de capacitação profissional neste ano.

A iniciativa oferece formação em áreas como carpintaria, eletricidade e outros ofícios.

O número de inscrições aumentou 40% em relação ao ano anterior, e Moreno afirma nunca ter visto uma procura tão elevada.

Ele está construindo novas salas de aula para atender à demanda crescente de argentinos da classe trabalhadora em busca de emprego, enquanto muitos enfrentam dificuldades para conseguir trabalho ou renda suficiente para sustentar suas famílias.

Rubén Barboza, de 56 anos, está desempregado desde novembro passado, quando a fabricante de móveis onde trabalhava fechou devido à queda nas vendas. O ex-operário industrial frequenta seu segundo curso de capacitação profissional após, segundo ele, ter se candidatado a 30 vagas sem receber nenhuma oferta.

Em números

  • A Argentina perdeu 241 mil empregos formais no setor privado desde que Milei
  • O número de empresas empregadoras do setor privado caiu para 482 mil, o menor nível desde 2007, de acordo com o centro
  • 500 inscrições para 700 vagas em seu programa de capacitação profissional neste
  • Nta seu segundo curso de capacitação profissional após, segundo ele, ter se candidatado a 30 vagas sem receber nenhuma oferta

Fontes

Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • InfoMoneylink

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