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Economia

Motel de R$ 3 mil a diária: o Lush quer matar o estigma e virar “resort urbano”

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Um antigo motel de gestão familiar no bairro do Ipiranga, Zona Sul de São Paulo, se tornou o embrião de uma ideia ambiciosa: afastar o estigma do mercado imobiliário para atrair investimentos e disputar um espaço maior no tempo que casais têm reservado para entretenimento e lazer.

O negócio é apenas um braço da LHG, uma empresa de gestão de motéis que nasceu do próprio Lush. Hoje, a companhia opera motéis próprios, administra empreendimentos de terceiros e presta consultoria a redes dos Estados Unidos e do Equador.

Martinez e Leonardo Dib, também diretor da LHG, assumiram a gestão de um antigo motel do qual seus pais eram sócios em 2010. Fundado em 1990, o Concavo e Convexo seguia todo o estilo que se pode imaginar de um motel tradicional.

A ideia dos atuais gestores foi uma renovação geral.

O retrofit promovido pela nova gestão queria abandonar os clichês do motel à brasileira: todo o tema erótico daria lugar a uma arquitetura que desperta desejo a partir de um “design lúdico”.

Um exemplo: o quarto mais caro da primeira unidade do Lush conta com piscina aquecida, sauna a vapor, cascatas, hidromassagem com cromoterapia e área externa com teto solar.

Sem fotos sensuais penduradas nas paredes.

Hóspedes podem escolher opções de reserva como dayuse, das 13h às 19h, o pernoite, das 20h às 12h e a diária, com check-in para as 15h de um dia e saída às 12h do próximo.

Períodos de uso mais longos privilegiam a visão da empresa de que o consumidor quer uma experiência de entretenimento e lazer que vai desde o quarto até o cardápio gastronômico assinado por um chef e cartas de vinho para ocasiões especiais.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Motéis, 85% dos frequentadores dos espaços já estão em relacionamentos estáveis.

Parte da estrutura para atrair esse consumidor passa pelas reservas, uma prática incomum no setor até poucos anos atrás. A LHG desenvolveu uma plataforma de e-commerce que hoje também é oferecida como parte dos seus projetos em gestão terceirizada e consultoria.

O sucesso da primeira unidade do Lush abriu o horizonte para a LHG em 2017. “Nós começamos a perceber uma carência de profissionalismo no mercado. Na hotelaria já existem empresas que fazem administração para investidores, mas isso não existia na motelaria”, explica Martinez.

Até aqui, a LHG abriu mais uma unidade do Lush no bairro da Lapa, em São Paulo, e o Andar de Cima, um híbrido de hotel e motel no prédio da Love Cabaret, casa de show para adultos no centro da cidade.

Mas os investimentos para construir um motel pesam. Com o custo de capital pressionando as possibilidades de expansão, a alternativa foi encontrar um modelo “asset light”, isso é, um negócio sem grandes aportes em ativos físicos.

Foi quando a LHG iniciou seu braço de administração que hoje opera motéis em Brasília e Campinas. O modelo de remuneração nesses casos é baseado, normalmente, em uma participação dos lucros.

De outro lado, a empresa oferece serviços de consultoria que atende uma rede em Quito, no Equador, e outra espalha pelos estados da Flórida e do Texas, nos Estados Unidos.

A margem EBITDA da empresa nas unidades em que o negócio já está maduro fica na casa de 35%.

Os resultados estão apoiados em um privilégio do setor moteleiro. Diferentemente dos hotéis tradicionais, em que a diária ocupa o período de quase 24h, nos motéis a rotatividade de um quarto por dia é maior, gerando uma taxa de ocupação na casa de 150% a 160%.

Essa dinâmica impacta diretamente o RevPAR, importante indicador do segmento que calcula a receita gerada por quartos disponíveis. A matemática permite que motéis se tornem viáveis com um número de quartos expressivamente inferior aos hotéis tradicionais.

Em números

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