O produtor musical Solano Ribeiro, um dos principais responsáveis pelos grandes festivais de música brasileira na televisão nos anos 1960, morreu na madrugada deste sábado, 31, aos 87 anos.
A morte foi confirmada pela Rádio Cultura Brasil, onde ele comandava o programa semanal “Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil”. Segundo a TV Cultura, Solano estava em seu terceiro tratamento contra o câncer e recebia cuidados paliativos.
O velório será realizado neste sábado, das 15h às 17h, no Cemitério Bosque da Paz, em Vargem Grande Paulista, na Grande São Paulo.
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Solano foi idealizador do 1º Festival de Música Popular Brasileira, exibido pela TV Excelsior, em 1965. Também esteve por trás do Festival da Record de 1967, que teve entre as músicas mais bem colocadas “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam; “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil; e “Roda Viva”, de Chico Buarque, interpretada pelo compositor com o grupo MPB4.
No livro “Prepare Seu Coração”, lançado em 2003 e ampliado em 2018, ele conta os bastidores dos eventos. “Tudo o que escrevi foi o que vi”, disse em entrevista concedida ao Estadão no ano do relançamento da obra.
No livro, Solano relata, por exemplo, como Baden Powell conquistou o primeiro lugar no Festival OTI (da Organização da Televisão Ibero-Americana), em Madri. O violonista, que defendeu a canção “Diálogo” ao lado de Tobias, Claudia Regina e Carlos Monteiro de Souza, estava embriagado, mas isso não o impediu de fazer uma grande apresentação.
Nos anos seguintes, continuou atuando como produtor independente e se dedicando à crítica e à preservação da memória da MPB.
Em 2005, ele criou e dirigiu o Festival Cultura – A Nova Música do Brasil, na TV Cultura, que buscava revelar novos talentos e valorizar compositores brasileiros, e no ano seguinte estreou o “Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil”.
O programa na rádio foi premiado duas vezes (em 2006 e 2012) pela Academia Paulista dos Críticos de Arte (APCA).
A edição da atração exibida neste sábado, 31, foi uma reapresentação de uma gravação de setembro de 2023. No programa, Solano reuniu Rubel, Flávia Bittencourt, a banda Selvagens à Procura de Lei e o grupo paulistano Samba da Chinela Voadora, em uma amostra de seu trabalho de divulgação de diferentes vozes e ritmos.
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