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Economia

Mesmo fora da presidência do Fed, Powell volta a ser alvo de Trump

Relatório identificou falhas de gestão e estouro de custos nas reformas da sede do banco central, mas não encontrou indícios de crime; ainda assim, Trump pediu

4 min de leitura
Mesmo fora da presidência do Fed, Powell volta a ser alvo de Trump

Foto de arquivo: O presidente dos EUA, Donald Trump, observa Jerome Powell, seu indicado para presidir o Federal Reserve (Fed), durante discurso na Casa Branca, em Washington, EUA, em 2 de novembro de 2017.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta quarta-feira (30) que Jerome Powell, ex-presidente do Federal Reserve (Fed), deixe o conselho do banco central americano.

A declaração foi feita apesar de um órgão de fiscalização do governo não ter identificado conduta criminosa nas reformas da sede da instituição.

Trump, que entrou em conflito com Powell por causa dos juros e do que classificou como estouros de custos nas reformas, acrescentou.

Relatório afasta crime, mas aponta falhas na reforma.

O relatório da inspeção-geral do Fed concluiu que não havia fundamento para encaminhar o caso à Justiça nem evidências de má conduta administrativa relacionadas ao aumento dos custos da reforma.

O documento acrescentou que, embora tenha identificado deficiências na administração do projeto e recomendado medidas corretivas, a avaliação não encontrou má conduta administrativa.

A inspeção concluiu que uma supervisão interna mais rigorosa poderia ter limitado parte do aumento dos custos. Entre os problemas identificados está a forma como o Fed conduziu um contrato que deveria estabelecer um preço máximo garantido para a obra.

Esse limite, na prática, nunca foi fixado. Com isso, os gestores do projeto continuaram aprovando subcontratações que elevaram tanto os custos quanto o prazo da reforma.

A Casa Branca e aliados de Trump haviam atribuído o aumento dos custos a melhorias consideradas luxuosas, como mármore, elementos de água e um terraço com jardim.

O relatório, entretanto, concluiu que esses itens “não contribuíram de forma relevante” para o estouro do orçamento.

Powell argumentou anteriormente que os gastos adicionais decorreram de dificuldades inesperadas, como a retirada de amianto, além de custos de materiais e mão de obra maiores do que o previsto.

Parte da construção também avançou profundamente no subsolo.

O próprio Powell havia solicitado que a inspeção-geral do Fed fizesse uma nova análise do projeto e de seus custos.

Reforma virou novo capítulo da disputa entre Trump e Powell.

Trump indicou Powell para a presidência do Fed no fim de 2017, mas passou a criticá-lo publicamente no ano seguinte por não reduzir os juros no ritmo desejado pelo governo.

Durante anos, o presidente americano pressionou o banco central por taxas menores. No segundo mandato de Trump, o aumento dos custos da reforma da sede do Fed tornou-se um novo foco dos ataques contra Powell.

Em julho de 2025, Trump visitou o local das obras para reforçar suas críticas. Na ocasião, Powell contestou diante das câmeras o valor do estouro de custos citado pelo presidente.

A tensão aumentou em janeiro de 2026, quando a Procuradoria dos Estados Unidos no Distrito de Colúmbia intimou o conselho do Fed a entregar informações sobre os gastos da reforma e sobre um depoimento de Powell ao Congresso.

Powell revelou, em um pronunciamento incomum em vídeo, que o Departamento de Justiça havia ameaçado indiciá-lo criminalmente. O então presidente do Fed classificou a iniciativa como uma tentativa de intimidar uma instituição que define os juros de acordo com o que considera melhor para o país, e não segundo as preferências do presidente.

Em março, um juiz federal anulou as intimações. A decisão concordou com o argumento de Powell de que elas serviam como pretexto para pressioná-lo a reduzir os juros ou deixar o cargo.

A investigação do Departamento de Justiça foi posteriormente encerrada, e o caso foi enviado à inspeção-geral do Fed, responsável pelo relatório divulgado nesta quarta-feira.

Powell deixou a presidência do banco central em maio, mas permaneceu como integrante do conselho. O mandato dele nessa função ainda não terminou.

Em sua última entrevista coletiva como presidente do Fed, em abril, Powell justificou a permanência.

O atual presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que adotará as recomendações do relatório para a gestão do projeto e contratará uma auditoria independente para verificar a exatidão e a conformidade dos custos aprovados até agora.

*Com informações da AFP e da Reuters.

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