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Economia

Lula 3 não entendeu que Lula 4 depende de muito mais do que emprego e renda melhores

Mês e pouco antes da eleição, dados do IBGE ainda mostram melhora surpreendente

4 min de leitura
Economia — imagem padrão

Mês e pouco antes da eleição somos informados outra vez pelos dados do IBGE de que a situação do trabalho é a melhor em quase meio século. Mas, como se sabe, a avaliação de Lula 3 está no vermelho desde o início de 2025.

Parte dessa incongruência parece ter explicações razoáveis. Mas o mistério ainda é grande.

Primeiro. Desde a ascensão da extrema direita, parte importante das opiniões sobre "economia" é determinada pelo que se pensa da política, não o contrário. Acontece nos EUA também.

Até os tradicionais índices de confiança de consumidor estão entortados por isso que se chama de "polarização.

Segundo. O alto nível de preços, em especial de alimentos, cria problemas, maiores para quem ganha até três salários mínimos. A taxa de inflação pode até aumentar menos, mas "as coisas ficaram caras", como se escreve aqui faz anos.

Essa carestia deu um pulo desde a epidemia. Exemplo: o preço da comida que se leva para casa ("alimentação no domicílio") aumentou 64% desde fevereiro de 2020. O salário médio (nominal) aumentou 60%.

Sob Lula 3, o preço da comida aumentou em média 13,6%; o salário médio, 34,6%. Não refrescou. Para os mais pobres, mesmo o aumento da despesa com benefícios sociais per capita não parece ter aliviado a situação.

Terceiro, a despesa média das famílias com o pagamento de dívidas bancárias (há outras) deu um pulo desde a epidemia. Foi de 22,6% da renda em fins de 2019 para 27,6% em fins de 2022.

Baixou então um pouco. Voltou a aumentar em fins de 2023. Está agora em 28,5%. Aumento do crédito e juros medonhos fizeram estrago. Crédito desregulado e incentivado além da conta pelos setores privado e público deu problema.

A política macroeconômica ruim de Lula 3 (crescimento excessivo da despesa, pouca mudança institucional etc.) contribuiu em parte grande para a alta de juros.

Quarto, mais recente, o gasto em "bets" faz a desgraça social e econômica conhecida. Na especulação, se diz também que despesas novas (celular, "streaming", similares e outras) não estariam bem contadas na cesta de consumo que baseia a medição de inflação.

A taxa de desemprego é a menor desde o início da nova série do IBGE, em 2012. A comparação com anos anteriores não é possível sem mais. Contas preliminares indicam que a situação é a melhor desde o fim da ditadura.

O salário médio ainda cresce ao ano mais de 3% acima da inflação, muito além do PIB, quase infinitamente mais do que a produtividade. O crescimento anual do número de empregados caiu para menos de 1% faz três meses, em parte porque falta mão de obra.

De janeiro de 2024 a julho de 2025, crescia a mais de 2%, com picos de 3%.

Talvez o trabalho cada vez mais precário, instável e sem sentido cause mais angústia, assim como a baixa expectativa de mobilidade social. Pessoas pobres que foram para o ensino superior expandido (em geral muito ruim) talvez estejam frustradas de não ganhar tanto mais quanto imaginariam "com a faculdade.

A renda dos 10% mais pobres cresceu menos do que a dos 10% mais ricos em 2025. Talvez benefícios sociais façam parte da paisagem, não animem mais. Talvez achem que Lula não diga mais nada sobre o futuro.

Fatos e especulações dão o que pensar sobre política econômica feita na marra e sobre insuficiências da vida material além de renda. Deixam uma dúvida mais imediata: se o humor social não é bom com a presente situação do trabalho, o que será quando a coisa piorar.

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