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Economia

Guerra no Irã: por que o preço do petróleo não para de subir mesmo com a volta das exportações?

O que está por trás do impasse entre Irã e EUA.

5 min de leitura
Guerra no Irã: por que o preço do petróleo não para de subir mesmo com a volta das exportações?

Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, o mercado acompanha de perto os efeitos do conflito sobre o preço do petróleo.

  • 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1.
  • 🔎 A alta do petróleo afeta a economia porque encarece combustíveis como gasolina e diesel e também aumenta o custo do transporte de pessoas e mercadorias. Esse repasse pode pressionar os preços de outros produtos e contribuir para uma inflação maior.
  • 🔎 Isso acontece porque o conflito também afetou refinarias e aumentou os riscos para o transporte desses produtos. Assim, pode haver petróleo bruto disponível, mas ainda existir dificuldade para transformá-lo em combustíveis e levá-los até os consumidores.
  • Estoques baixos mantêm pressão sobre o petróleo.
  • recuperação duradoura das exportações.
  • normalização do mercado de combustíveis.

O que está por trás do impasse entre Irã e EUA.

As interrupções na produção e no transporte aumentaram o temor de falta de oferta, principalmente por causa do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o petróleo produzido no Oriente Médio.

Em meio ao conflito, as exportações do Golfo Pérsico, área marítima do Oriente Médio que concentra grandes produtores de petróleo, começaram a se recuperar e chegaram a 23,3 milhões de barris por dia na última semana de setembro, segundo estimativa do Goldman Sachs.

🤔 Mas, se o petróleo voltou a ser transportado, por que o preço continua alto? Entenda.

O que aconteceu com o petróleo durante a guerra.

O conflito entre EUA e Irã aumentou a preocupação com o fornecimento da commodity, uma vez que o Oriente Médio concentra alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo.

O principal ponto de atenção foi o Estreito de Ormuz, passagem que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é usada para transportar petróleo produzido por países como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Quando o transporte pela região foi afetado, surgiu o temor de que menos petróleo chegasse ao mercado internacional. Isso fez os preços subirem mesmo antes de uma falta efetiva do produto, já que compradores e investidores passaram a considerar o risco de uma interrupção prolongada.

Com a recuperação do transporte pelo estreito, parte dessa preocupação diminuiu, mas não desapareceu completamente.

Por que o petróleo não caiu junto com a retomada das exportações.

Um dos motivos para a alta persistente é que a recuperação do mercado de petróleo não aconteceu de forma igual em toda a cadeia.

O petróleo bruto voltou a circular em volumes próximos dos níveis anteriores, mas os combustíveis já refinados, como diesel, gasolina e querosene de aviação, continuam com exportações abaixo do normal.

Para Felipe Sant'Anna, analista da Axia Investing, é importante separar essas diferentes etapas. “Uma coisa é a produção, outra coisa é o refino, outra coisa é a mobilidade, a exportação, seja por oleodutos ou seja mesmo por navios petroleiros”, afirma.

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), os estoques globais de petróleo caíram 507 milhões de barris desde fevereiro.

No mesmo período, países-membros liberaram mais de 300 milhões de barris de suas reservas de emergência. Com os estoques baixos, empresas e governos podem aumentar as compras para formar reservas de segurança, mantendo os preços pressionados.

Mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, o mercado ainda considera o risco de novos problemas no abastecimento.

Uma nova escalada da guerra ou ataques a instalações de produção, refinarias e navios poderiam reduzir a oferta e elevar novamente os preços.

A chegada do inverno no Hemisfério Norte também pode pressionar os preços da matéria-prima, já que aumenta o consumo de energia nos EUA e na Europa.

O que precisa acontecer para o petróleo voltar a cair.

De acordo com a analista Maria Carolina Luchesi, da Hike Capital, uma queda mais consistente dos preços dependeria de três fatores.

A EIA estima que 5,7 milhões de barris por dia de produção fiquem parados, em média, no quarto trimestre e projeta que a maior parte da produção do Oriente Médio volte a níveis próximos aos anteriores ao conflito no segundo trimestre de 2027.

Ou seja, o mercado precisa ter mais segurança de que o petróleo continuará chegando aos consumidores, que as refinarias voltarão a funcionar normalmente e que os estoques começarão a ser recompostos.

Segundo a Reuters, países da União Europeia discutem a liberação de 50 milhões de barris de diesel, enquanto membros da Agência Internacional de Energia poderiam liberar outros 50 milhões de barris de petróleo.

Enquanto isso, EUA e Irã seguem em impasse após meses de guerra e negociações frustradas. As principais divergências envolvem o programa nuclear iraniano, as sanções americanas e a reabertura do Estreito de Ormuz.

O Irã quer o fim das sanções e garantias para retomar as negociações, enquanto os EUA exigem restrições ao programa nuclear e livre navegação na região.

Em números

  • Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), os estoques globais de petróleo caíram 507 milhões de barris desde fevereiro
  • No mesmo período, países-membros liberaram mais de 300 milhões de barris de suas reservas de emergência
  • A EIA estima que 5,7 milhões de barris por dia de produção fiquem parados, em
  • Segundo a Reuters, países da União Europeia discutem a liberação de 50 milhões de barris de diesel, enquanto membros da Agência

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