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Economia

Gasolina sobe nos EUA e Trump diz que alta é 'baixo preço a pagar' por guerra no Irã

Alta do combustível pressiona orçamento das famílias, encarece custos de empresas e amplia a insatisfação com o presidente às vésperas das eleições legislativas

5 min de leitura
Gasolina sobe nos EUA e Trump diz que alta é 'baixo preço a pagar' por guerra no Irã

Um posto de gasolina da Terrible's, na Sunset Road, exibe os preços dos combustíveis enquanto um avião da Southwest Airlines se prepara para pousar no Aeroporto Internacional Harry Reid, na sexta-feira (18), em Las Vegas, nos Estados Unidos.

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  • 🔎 No dia 18 de setembro, o preço médio nacional chegou a US$ 4,48 por galão (R$ 23,03), segundo a associação automotiva AAA. Como um galão americano corresponde a aproximadamente 3,8 litros, o preço equivalia a cerca de US$ 1,18 por litro (R$ 6,07).

Sob o sol forte do sul do Texas, Quinten Martinez acompanha os números subirem rapidamente no visor da bomba de combustível. Aos 28 anos, o entregador da Amazon lembra de quando abastecer o carro não exigia escolher qual despesa caberia no orçamento.

A dúvida de Martinez traduz para o cotidiano de muitos americanos uma das consequências econômicas da guerra dos Estados Unidos com o Irã.

A disparada da gasolina aperta o orçamento das famílias, eleva os custos de pequenos negócios e aumenta a insatisfação com o presidente Donald Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Na semana passada, em um evento de campanha na Carolina do Norte, Trump minimizou o impacto da disparada dos combustíveis.

Preço na bomba pesa na decisão do eleitor.

Apesar da avaliação de Trump, estrategistas dos dois principais partidos americanos dizem que poucos indicadores econômicos devem ter tanta influência sobre os eleitores neste ano quanto o preço da gasolina.

Isso ocorre porque o combustível torna visível uma pressão econômica que poderia parecer abstrata. O motorista encontra o preço na bomba várias vezes por semana, enquanto trabalhadores que dependem do carro precisam abastecer para garantir a própria renda.

A gasolina também está subindo em uma época do ano em que os motoristas americanos normalmente encontram algum alívio.

As entrevistas realizadas ao longo da semana encontraram frustração e decepção entre eleitores de diferentes partidos.

Democratas e independentes demonstraram maior disposição para punir os republicanos nas urnas pelas dificuldades econômicas.

Parte dos apoiadores de Trump entre a classe trabalhadora, porém, pretende continuar votando no Partido Republicano, mesmo insatisfeita com a condução da economia pelo presidente.

Republicanos também demonstram insatisfação.

Mesmo assim, Lloyd pretende votar no Partido Republicano nas eleições legislativas.

Em Edinburg, no Texas, Kristin Jimenez, de 52 anos, mostrou-se menos preocupada com o preço depois de abastecer sua Mercedes.

Ela pretende votar em um candidato republicano, por considerar o partido “o menor de dois males”, e diz que a gasolina não terá peso em sua decisão.

A mais de 2. 400 quilômetros dali, na região central de Michigan, Garth Johnson tenta equilibrar as contas de uma empresa de limpeza pesada. O negócio utiliza vários veículos movidos a gasolina e uma máquina abastecida com diesel.

Johnson, de 35 anos, votou em Trump, mas ainda não sabe o que fará em novembro. Ele diz não se considerar qualificado para contestar a avaliação do presidente sobre a guerra, embora já sinta a pressão financeira do conflito na própria rotina.

Outros eleitores querem responder nas urnas.

Na Virgínia, onde a votação antecipada já estava em andamento na sexta-feira, o engenheiro Alan Johnson, de 60 anos, afirmou que Trump parece não ter “nenhuma empatia” pelos americanos que enfrentam dificuldades financeiras.

Naquela manhã, ele votou em candidatos democratas ao Senado e à Câmara dos Representantes.

Em Raleigh, na Carolina do Norte, a professora Brittney Bivins vê a alta dos combustíveis como um sinal de que Trump e o Partido Republicano não estão enfrentando os problemas que mais afetam pessoas como ela.

Ele pode pagar pela gasolina, mas a maioria de nós não pode. Então, parece que ele não está nem sequer conectado com o próprio povo.”.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de embarcar no Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, em 9 de setembro de 2026.

Bivins se define como independente e pretende apoiar os democratas nas eleições, especialmente a ala socialista democrática que vem ganhando espaço dentro do partido.

Ela acredita que as tarifas comerciais de Trump devem agravar ainda mais os problemas relacionados ao custo de vida.

Maioria diz que governo Trump piorou a economia.

A percepção de que o orçamento está mais apertado aparece também nas pesquisas nacionais.

Segundo levantamento da Fox News divulgado na quarta-feira, o número de eleitores que dizem estar ficando financeiramente para trás é mais de três vezes maior que o daqueles que afirmam estar avançando.

Em um momento no qual a economia e o custo de vida aparecem entre as principais preocupações do eleitorado, os democratas têm vantagem de 15 pontos percentuais sobre os republicanos quando os entrevistados são questionados sobre qual partido administraria melhor a inflação e os preços.

A pesquisa mostra que 61% dos eleitores consideram o preço da gasolina um problema importante para a própria família. Dois anos antes, eram 48%.

Os gastos com saúde são apontados como um problema importante por 52%, ante 44% em 2024.

A maioria também demonstra preocupação com o preço da moradia e dos alimentos, embora esses dois indicadores não tenham registrado aumento na comparação apresentada pela pesquisa.

No total, 63% dos eleitores afirmam que o governo piorou a economia. Em setembro de 2025, essa parcela era de 52%. A avaliação negativa inclui um quarto dos republicanos.

Entre os eleitores do partido, apenas 46% dizem que o governo melhorou a economia, enquanto cerca de um quarto não percebe impacto.

De volta ao sul rural do Texas, região onde o Partido Republicano avançou nas últimas eleições, Martinez não esconde a frustração.

Trump “gosta de afirmar que somos a melhor economia do mundo”, disse o entregador da Amazon. Mas, nas cidades mais rurais, “você não vê nenhuma dessas vitórias, não vê nenhuma das melhoras de que ele está falando”.

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