O mês de setembro, como anterior ao período eleitoral, é conhecido como um dos momentos de maior volatilidade para ativos em anos de eleições.
Em relatório publicado nesta quarta (23), o Goldman Sachs avaliou o cenário macroeconômico no período imediatamente anterior ao 1º e 2º turno das eleições de 2026 e teceu projeções sobre o dólar para outubro, durante o pleito.
O banco analisou posições atuais compradas em real brasileiro, que seguem populares entre investidores de câmbio que optam pela operação de carry trade.
Os ciclos eleitorais anteriores mostram que os níveis atuais de carregamento são semelhantes ao registrados em 2022 e também ao período anterior às eleições de 2006 e 2010.
Dólar hoje avança ante real e bate R$ 5,15 com pesquisa eleitoral e Fed no radar.
Levantamento Atlas/Bloomberg mostrou logo cedo que o presidente Lula voltou a liderar numericamente as intenções de voto contra Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno.
No entanto, os números de operações são muito superiores ao observado em 2018. A razão da disparidade é o patamar de juros atual no Brasil, que garante elevado retorno e altas taxas de juros reais.
Já em 2018, o juro real estava próximo da mínima histórica (com a ressalva do Goldman sobre o período de choque causado pela pandemia de Covid-19). O contrário aconteceu 2014, quando operações de carry trade eram superiores ao observado atualmente, mas o juro real também era menor, pela inflação mais elevada.
Dados históricos analisados pelo Goldman mostram que os resultados do primeiro turno podem ter grande impacto sobre o mercado cambial. O patamar que o dólar perante o real chega é diretamente relacionado ao nível de acirramento presente na disputa eleitoral em temas ligados à política econômica.
Entre os períodos analisados, estão 2014, 2018 e 2022. O banco afirma que em 2006 e 2010 a movimentação ficou mais estável, já que os pleitos não foram vistos como “momentos decisivos”.
Em 2022, o resultado do segundo turno, com resultado presencial mais apertado e Congresso com composição mais de centro-direita, fez com que o dólar subisse 4,5% ante o real.
Segundo o estudo, o padrão foi similar ao observado em 2014.
Na semana anterior ao primeiro turno de 2014, o real chegou a se desvalorizar e a tendência foi mantida no início do mês. No entanto, pouco antes do segundo turno, a queda foi revertida e houve valorização na sessão seguinte ao resultado.
Menos foco no resultado, mais nos desdobramentos.
A conclusão do banco estrangeiro é que o resultado eleitoral definitivo tem menos poder de reverter tendências da moeda do que os desdobramentos concretos. No caso deste ano, e das comparações mais diretas realizadas, a política econômica segue como tema decisivo para a trajetória da divisa norte-americana perante o real.
E isso dependeria menos de partido e mais dos primeiros movimentos dos eleitos em primeiro momento. Passado o período eleitoral, as condições externas voltaram a ser mais determinantes do que movimentações domésticas.
O Goldman cita, por exemplo, que a nomeação de ministros “mais ortodoxos” por Dilma Rousseff fez com que a moeda se valorizasse no fim de novembro. Ainda assim, há a ressalva de que, em 2015, o real voltou se enfraquecer.
Já em 2018, após a vitória de Jair Bolsonaro, o banco afirma que o foco se voltou para a implementação de reformas em um Congresso fragmentado. Naquele novembro, sinais de que a reforma da Previdência avançaria mais lentamente contribuíram para a depreciação do real.
Em 2022, o relatório destaca que a concentração de atenção em riscos de aumento de gastos públicos veio logo, ainda que em primeiro momento investidores tenham aproveitado o resultado para realização de lucros de posições compradas em real.
Em números
- Dólar hoje avança ante real e bate R$ 5,15 com pesquisa eleitoral e Fed no radar
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…