A alta na venda de ingressos para shows internacionais após a pandemia gerou comoção entre fãs nas redes sociais, motivada por taxas consideradas excessivas e pela ação de cambistas.
Em resposta, o governo assinou o Decreto dos Fãs, impondo regras mais rigorosas para tentar combater o cambismo e exigir mudanças na atuação de grandes vendedoras de ingressos, como a Live Nation e sua subsidiária, a Ticketmaster.
Celebrada por parte do público, a medida teve o apoio da Ticketmaster Brasil. Segundo o CEO Donovan Ferreti, a empresa participou da elaboração do projeto, atua dentro da nova legislação e tem no combate às vendas ilegais e na cibersegurança um dos principais custos operacionais.
A taxa variável cobrada nas compras de ingressos é frequentemente questionada por fãs de artistas nas redes sociais. Como ela é calculada? A nossa única receita —e acho que aí está a polêmica do mercado, porque há empresas de ingresso que cobram outras taxas— é a taxa de serviço ou taxa de conveniência.
É ela que remunera os nossos serviços. Quando se trata da venda em bilheteria, não temos nenhuma receita adicional. Todo o custo de pessoal, equipamentos e logística é nosso.
No evento, o controle de acesso também é custeado por nós. Essa é, hoje, a estrutura de receita e despesa da empresa, e é por isso que ela tem esses dois lados.
Os custos dos ingressos são proporcionais à demanda desses serviços.
O que o Decreto dos Fãs muda para vocês, na prática? O decreto não muda nossa operação. Boa parte do que está previsto na determinação, nós já fazemos. Fomos convidados, logo no início, pelo grupo que estava elaborando o decreto para falar sobre boas práticas, e muito do que está na nova lei surgiu dessa conversa.
Para nós, a legislação foi vista como algo positivo, que ajuda a melhorar a segurança do fã no processo de compra. Também proíbe a cobrança de outros tipos de taxa, algo que já não praticávamos.
De certa forma, tenta padronizar um pouco mais o mercado primário de ingressos.
Há queixas em relação à compra de ingressos para revenda no mercado secundário ilegal, os cambistas. Clientes dizem que a atuação da plataforma nessa frente é insuficiente.
Quando um ingresso é anunciado em outro lugar, não há como garantir que ele seja verdadeiro —não é possível assegurar que um ingresso anunciado em rede social ou em site de revenda seja autêntico.
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