Atualmente, os meios de pagamento proprietários já respondem por 15,52% do volume total vendido pelas redes varejistas, sendo liderado pelo setor de moda (58,77%), seguido pelo alimentar (26,75%) e por eletromóveis e materiais de construção (14,80%).
Esse avanço, que registrou um crescimento de cerca de 70% nos últimos dois anos, ocorre porque o varejista assumiu as rédeas do financiamento de seus clientes, analisa Lucas Dornellas, Chief Revenue Officer (CRO) da RPE.
De acordo com ele, ao integrar serviços financeiros à estratégia comercial, as redes utilizam o crédito em conjunto com benefícios, descontos e programas de cashback para alavancar vendas e aumentar o volume da cesta de compras.
Análise de crédito dribla ameaça de inadimplência.
Apesar do aumento do endividamento das famílias, que chegou a 82% em julho de 2026, a perda líquida do varejo permaneceu estável em 2,28%, destaca Dornellas.
O segredo, segundo ele, é o chamado “crédito de precisão”. O executivo afirma que o varejista consegue ser mais assertivo porque utiliza dados que apenas ele possui.
Essa tese é reforçada pelos dados históricos: 83,06% dos clientes com mais de dez anos de vínculo com as redes estão rigorosamente em dia com seus pagamentos, segundo a pesquisa.
Juros, bancos e o efeito ‘Desenrola’.
Embora o foco da operação seja reter o cliente e fomentar o comércio, o bom desempenho dessas carteiras tem levado redes a venderem seus recebíveis para grandes bancos como forma de fazer caixa, por meio de FIDCs.
Segundo o levantamento, ao estruturar um FIDC próprio, a varejista consegue captar recursos diretamente no mercado financeiro a custos mais baixos, transformando o cartão de loja em uma unidade geradora de lucro.
Entenda melhor: FIDCs: entenda como funcionam esses fundos de renda fixa.
Na outra ponta, programas governamentais de renegociação de dívidas, como o Desenrola, têm injetado fôlego na economia ao limpar o nome dos consumidores, gerando um efeito positivo de curto prazo no volume de venda.
O varejo, no entanto, observa o movimento com cautela. Há o receio de uma “ressaca no crédito”, onde o estímulo excessivo ao consumo de um público recém-saído da inadimplência resulte em uma nova onda de calotes.
Fontes
Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.