O Conselho de Administração da companhia aprovou o ajuizamento do pedido, mas o protocolo ainda depende da formalização dos documentos.
A medida foi tomada após o fim do prazo de proteção contra credores obtido pela companhia, em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pela petroquímica.
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A companhia é considerada uma das principais petroquímicas das Américas, com atuação global e forte presença em cadeias industriais estratégicas. Seus produtos estão presentes em itens do dia a dia, desde embalagens e materiais de construção até peças automotivas e insumos agrícolas.
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Criada em 2002, a Braskem surgiu da integração de ativos da antiga Odebrecht — atualmente Novonor — e do Grupo Mariani. A operação reuniu seis empresas petroquímicas e deu origem a uma estrutura integrada inédita no Brasil, consolidando a companhia como líder regional logo nos primeiros anos de fundação.
Ao longo de sua trajetória, a Braskem ampliou sua presença por meio de aquisições e parcerias estratégicas, incluindo a incorporação de ativos no exterior.
Esse movimento permitiu a expansão para mercados como Estados Unidos, Alemanha e México, além de reforçar sua posição como uma das maiores produtoras globais de resinas termoplásticas, que são a base de boa parte dos produtos plásticos usados atualmente.
A Petrobras é uma das principais acionistas da Braskem e detém cerca de 47% do capital votante da companhia, além de ser uma das principais fornecedoras de matéria-prima, o que reforça sua integração com a cadeia de óleo e gás no Brasil.
A Braskem atua no setor químico e petroquímico, com foco na produção de resinas termoplásticas como polietileno (PE), polipropileno (PP) e policloreto de vinila (PVC).
Esses materiais são fundamentais para a indústria de transformação e servem de base para a fabricação de uma ampla variedade de produtos.
Além das resinas, a companhia produz insumos químicos básicos, como eteno, propeno, butadieno, benzeno e tolueno. Esses compostos são obtidos principalmente a partir de matérias-primas como petróleo, nafta, gás natural e etano.
A operação da empresa é organizada de forma integrada.
Primeira geração: produção de petroquímicos básicos a partir de matérias-primas fósseis ou renováveis;Segunda geração: transformação desses insumos em resinas termoplásticas;Terceira geração (clientes): empresas que utilizam essas resinas para fabricar produtos finais.
Essa integração permite ganhos de escala e eficiência operacional, sendo um dos diferenciais competitivos da companhia.
A Braskem possui operações em 11 países e conta com mais de 8 mil funcionários. Sua estrutura inclui 39 unidades industriais, 14 escritórios comerciais e 7 centros de inovação.
Apesar da escala, a empresa enfrenta um momento de pressão. O setor petroquímico global passa por um ciclo de baixa, com redução de demanda e aumento de custos, o que afeta diretamente os resultados.
Estrutura acionária e desafios recentes.
A Braskem tem controle compartilhado entre a Petrobras e um fundo ligado à gestora IG4 Capital.
A Petrobras detém cerca de 47% do capital votante (ações com direito a voto) e 36,1% do capital total da companhia. Já o fundo ligado à IG4 Capital possui 50,1% do capital votante, participação assumida após a aquisição da fatia anteriormente pertencente à Novonor.
O restante das ações ordinárias e preferenciais está distribuído entre investidores no mercado.
Atualmente, a Braskem é comandada por Helcio Tokeshi. Ele assumiu o cargo em junho deste ano, sucedendo a Roberto Ramos. Já o conselho de administração da companhia é presidido por Magda Chambriard, que também é diretora-presidente da Petrobras.
Nos últimos anos, a Novonor vinha tentando vender sua participação na Braskem. Em março, a empresa encerrou seu processo de recuperação judicial, após cinco anos.
A IG4 Capital, por meio do fundo Shine, assumiu em junho de 2026 a participação da Novonor na Braskem e passou a dividir o controle da petroquímica com a Petrobras.
Após a operação, a Novonor deixou o bloco de controle e permaneceu apenas como acionista minoritária, com 4% das ações preferenciais.
Esse cenário adicionou incertezas à governança e ao futuro da empresa, ao mesmo tempo em que pressiona sua avaliação de mercado, que tem apresentado queda nos últimos meses.
Nos últimos 12 meses, as ações BRKM5 desvalorizaram cerca de 40,70%.
Um dos casos mais significativos e polêmicos da história recente da empresa aconteceu em Maceió e envolve a extração de sal-gema.
🔎 O sal-gema é uma matéria-prima essencial da indústria petroquímica. No caso da Braskem, ele entra na base da produção de químicos que acabam sendo transformados em plásticos e outros produtos usados no dia a dia.
A atividade de mineração subterrânea, realizada por décadas, provocou instabilidade geológica em diversos bairros da capital alagoana. Regiões como Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto foram afetadas por rachaduras, afundamento do solo e risco de colapso estrutural.
O problema levou à evacuação de mais de 55 mil pessoas desde 2019, além da interdição de imóveis e fechamento de milhares de estabelecimentos comerciais.
Estudos indicaram que a técnica utilizada — baseada na injeção de água para dissolução do sal a centenas de metros de profundidade — comprometeu a estabilidade do solo, gerando crateras e colapsos em minas.
Após o agravamento da situação, a Braskem interrompeu a exploração de sal-gema em 2019 e passou a firmar acordos com autoridades para indenização e realocação de moradores, além de implementar medidas de reparação socioambiental.
A área segue sob monitoramento contínuo, e o caso continua gerando impactos financeiros, jurídicos e reputacionais para a companhia.
Em números
- A Braskem possui operações em 11 países e conta com mais de 8 mil funcionários
- O problema levou à evacuação de mais de 55 mil pessoas desde 2019, além da interdição de imóveis
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Economia, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.